Marinha americana/Divulgação
Marinha americana/Divulgação

Chefe pirata somali ameaça caçar viajantes americanos

Em águas da Somália, capitão ameaça retaliar norte-americanos pela morte de seus homens

Clarissa Mangueira, da Agência Estado

13 de abril de 2009 | 06h34

O chefe dos piratas somalis ameaçou atacar americanos em vingança pelo resgate, no domingo, 12, do capitão do navio dinamarquês durante operação da Marinha dos Estados Unidos. A embarcação tinha sido sequestrada há quatro dias na costa da Somália. Três piratas foram mortos e um detido durante a operação.

 

"Os americanos mentirosos mataram nossos amigos depois que eles concordaram em libertar os reféns sem resgate, mas devo dizer que este assunto vai levar a retaliações e vamos caçar particularmente cidadãos americanos que viajarem em nossas águas", disse Abdi Garad por telefone à agência de notícias AFP.

 

"Nunca é o fim do mundo e vamos intensificar nossos ataques até muito longe das águas da Somália, e da próxima vez que tivermos cidadãos americanos, eu desejo que eles não esperem nenhuma piedade de nós", declarou o chefe pirata.

 

Richard Phillips, capitão do navio dinamarquês com tripulação americana sequestrado havia quatro dias na costa da Somália, foi libertado no domingo pela Marinha dos EUA, numa operação que terminou com três corsários mortos e um capturado.

Segundo a emissora de TV CNN, Phillips teria saltado na água, permitindo que os militares americanos abrissem fogo contra o bote que era usado como cativeiro. Os três bucaneiros que estavam a bordo morreram no ataque e um quarto foi detido enquanto negociava o pagamento de um resgate de US$ 2 milhões a bordo do destroier Bainbridge, da Marinha americana. O capitão foi retirado ileso da água.

Autoridades americanas revelaram que o presidente dos EUA, Barack Obama, deu ordens para que a Marinha atacasse nas duas vezes em que foi consultado pelo Pentágono. "Eu partilho da admiração que o país tem pela bravura do capitão Phillips", disse Obama. "Sua coragem é um modelo para todos os americanos."

Luta

Phillips e outros 19 tripulantes do Maersk Alabama - um cargueiro da empresa dinamarquesa Moller-Maersk que levava 400 contêineres com ajuda humanitária para Mombasa, no Quênia - foram rendidos na quarta-feira em alto mar, na costa da Somália.

Os quatro piratas que participaram do ataque chegaram a assumir o controle do cargueiro por algumas horas. Mas, quando os tripulantes perceberam que o navio estava sendo abordado, esconderam-se numa área segura e esperaram por uma oportunidade que permitisse o contra-ataque.

Os 20 tripulantes lutaram com os piratas no deck do navio. No confronto, um marinheiro chegou a esfaquear a mão de um dos piratas. Pegos de surpresa, os criminosos abandonaram o cargueiro a bordo de um bote salva-vidas, levando consigo o capitão do navio.

Na sexta-feira, Phillips chegou a tentar uma primeira fuga a nado, mas foi impedido por um dos sequestradores. Na segunda tentativa, ontem, os militares americanos conseguiram agir a tempo e dispararam contra os sequestradores assim que Phillips pulou no mar.

Herói

"O capitão Phillip é um herói", gritou um dos marinheiros do Maersk Alabama, ao saber do sucesso da operação. Os tripulantes do cargueiro acompanharam as notícias sobre o desfecho do sequestro num porto de Mombasa e dispararam sinalizadores para comemorar a libertação.

Os marinheiros contaram que Phillip - que chegou a dirigir um táxi em Boston para pagar seus estudos na Academia Marítima de Massachusetts - se ofereceu aos piratas em troca da segurança dos outros 19 marinheiros.

"Eu sou só um coadjuvante", disse Phillips, de 53 anos, depois da libertação. "Os verdadeiros heróis são a Marinha e os Seals (Forças Especiais da Marinha americana), que me trouxeram de volta para casa."

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