Chefe policial de Londres resiste a pressão no caso Jean Charles

Ian Blair, a maior autoridade policialda Grã-Bretanha, continuava resistindo na quinta-feira àsfortes pressões por sua renúncia devido ao erro que resultou em2005 na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundidocom um homem-bomba. Menezes, que tinha 27 anos e era eletricista, levou setetiros na cabeça dentro de um trem do metrô. A polícia achavaque ele era um dos quatro homens que tentaram um ataque suicidafrustrado contra o sistema de transporte londrino no diaanterior. A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCCna sigla em inglês) criticou Blair, que é comissário da PolíciaMetropolitana de Londres, por ter tentado bloquear ainvestigação que realizava sobre o caso. Blair já disse queacreditava, na época, que o inquérito fosse interferir em casosde combate ao terrorismo. "Pretendo permanecer neste cargo", disse Blair. "Pelaprópria natureza da tarefa, a história do Serviço de PolíciaMetropolitana está cheia de episódios polêmicos." Os ataques frustrados aconteceram exatamente duas semanasdepois de quatro muçulmanos terem matado 52 pessoas em ataquessuicidas contra trens do metrô e um ônibus, em Londres. Na semana passada, a força comandada por Blair foiconsiderada culpada de colocar o público em risco quando atirouem Jean Charles, num julgamento inédito sobre a violação deleis de saúde e segurança no trabalho. Não houve punição contranenhum oficial específico. O governo do premiê Gordon Brown vem apoiando a permanênciade Blair, mas os dois principais partidos da oposiçãopressionam para que ele deixe o cargo. "O comissário tentou impedir que realizássemos umainvestigação", afirmou o presidente do IPCC, Nick Hardwick. "Emminha opinião, boa parte das dificuldades evitáveis ...surgiram a partir dessa demora." O inquérito do IPCC se concentrou principalmente na atuaçãode Cressida Dick, que era a responsável pela operação. Ela podeser submetida a audiências públicas disciplinares junto comtrês outros oficiais. "Erros muito graves foram cometidos e deviam ter sidoevitados", disse Hardwick. "Mas temos de tomar o máximo cuidadoantes de acusar alguém especificamente." Blair já disse esperar que o relatório do IPCC encerre aquestão. Mas ainda deve haver o inquérito judicial sobre amorte, e a família do brasileiro pretende também entrar naJustiça. "Embora estejamos satisfeitos com o relatório, o triste éque não estamos nem perto de conseguir justiça," disse VivianFigueiredo, prima de Jean Charles, numa entrevista coletiva.Ela repetiu os apelos pela renúncia de Ian Blair.

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