Chefe sindical lidera greve e acusa Cristina de soberba

Dezenas de milhares de caminhoneiros tomam a Praça de Maio em ato por corte de impostos para argentinos pobres

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h02

Dezenas de milhares de trabalhadores tomaram ontem a Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, na primeira greve da maior central sindical argentina contra o governo da presidente Cristina Kirchner. Aliado de longa data do ex-presidente Néstor Kirchner, o presidente da Confederação-Geral dos Trabalhadores (CGT), Hugo Moyano, acusou a presidente de soberba e pressionou por uma redução de impostos para argentinos de baixa renda.

"Esse protesto é para o governo abandonar a soberba", discursou Moyano. "Não gostamos da maneira com a qual se impõem as coisas, como se fosse uma ditadura."

A greve paralisou 250 mil caminhoneiros, categoria que Moyano representa. Desde a manhã, os trabalhadores vieram de diversas cidades da Província de Buenos Aires para a Praça de Maio. O impacto para o transporte de mercadorias, no entanto, foi relativamente pequeno. Durante o dia de passeatas, não foram registrados incidentes.

Moyano, no entanto, garantiu que não pretende trabalhar contra a presidente. "Não estamos aqui para competir com ninguém. Cristina ficará no cargo até o fim do mandato e eu sigo na CGT porque serei reeleito", afirmou.

Cristina e Moyano distanciaram-se depois de a presidente retirar o apoio ao sindicalista na sucessão da CGT. Nas eleições de 12 de julho, ela apoiará Antonio Caló. Partidários do governo acusam Moyano de aliar-se à oposição para obter ganhos políticos pessoais.

Em uma cerimônia na Província de San Luís, Cristina pediu união. "Isso aqui não é Boca (Juniors) x River (Plate). Precisamos que a Argentina vença", disse a presidente, em alusão à greve. "Peço a todos que sejam unidos, organizados e solidários e caminhem em frente."

A CGT é a maior central sindical argentina, com 8 milhões de afiliados e é uma das bases de apoio do peronismo. / AFP

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