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Chefes de gabinete de Cristina e Macri amenizam transição

Ministro kirchnerista diz que atendeu sucessor na Casa Rosada por ordem expressa da presidente que deixa o cargo dia 10

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2015 | 23h20

O chefe de gabinete do governo kirchnerista, Aníbal Fernández, recebeu seu sucessor, Marco Peña, com chá e pães doces em seu gabinete na Casa Rosada ontem de manhã. Ambos não detalharam o que foi dito no encontro, mas seus comentários baixaram o tom tenso que marca a transição presidencial.

Na terça-feira, Cristina Kirchner recebeu o presidente eleito Mauricio Macri na Quinta de Olivos, residência oficial na região metropolitana de Buenos Aires. Macri esteve durante 40 minutos em sua futura casa e saiu decepcionado. Disse que a reunião havia sido improdutiva porque Cristina não tinha fornecido dados de seu governo e só havia oferecido um ministro, no dia 9, véspera da posse, para conduzir a transferência de poder.

A presidente foi criticada pela oposição por não ter aceitado posar para uma foto com Macri e não ter cedido a sala de imprensa de Olivos, que ela não usa para entrevistas coletivas, que Macri pretende reativar. Cristina não respondeu às críticas, mas Fernández sim. “O que Macri esperava, usar a piscina da Quinta de Olivos?”, questionou, fiel a seu estilo irônico.

Ontem, depois de encontrar-se com Peña, o número 2 do governo kirchnerista foi moderado em seus comentários no Twitter. Esclareceu que havia chamado o sucessor por ordem da presidente. “Boa conversa, temas variados. Combinamos de voltar a nos ver para seguir conversando”, resumiu. Chamou atenção que tenha oferecido chá, e não o mate do qual é inseparável. Peña falou ao sair da Casa Rosada. Questionado sobre por que a reunião não foi divulgada com antecedência, desconversou. “Foi uma boa conversa inicial. Precisamos fazer uma transição mais relaxada, mais ordenada. Já há conversas informais entre distintas áreas”, afirmou Peña.

Fernández é considerado um dos responsáveis indiretos pela vitória de Macri. Escolhido candidato ao governo da Província de Buenos Aires, onde estão 37% dos eleitores do país, perdeu para Maria Eugenia Vidal, a candidata de Macri.

Ele é alvo de acusações de ligação com o narcotráfico, que embora não comprovadas acentuaram sua rejeição. A perda da província mais importante do país, após 28 anos nas mãos do peronismo, foi decisiva para a campanha do governista Daniel Scioli, pois o sistema eleitoral argentino induz o voto casado para governador e presidente. Scioli foi derrotado no domingo por 51,4% a 48,6%.

Outra razão do triunfo da coalizão Cambiemos foi a desobediência do ministro dos Transportes kirchnerista, Florencio Randazzo, a Cristina. Ele recusou a oferta da presidente de concorrer ao governo da Província de Buenos Aires depois de ela preferir Scioli, em junho, para disputar a presidência e impedir uma briga interna dos dois. A rebeldia abriu as portas para a fracassada candidatura de Fernández. Após o primeiro turno, em que Scioli teve um desempenho abaixo do esperado, Randazzo responsabilizou a presidente pela escolha.

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