Guillermo Arias / AFP
Guillermo Arias / AFP

Chefs de cozinha internacionais preparam paella para milhares de migrantes em Tijuana

Iniciativa ‘Paella Solidária sem Fronteiras’ é do chef espanhol Armando Rodiel; objetivo é levar um pouco de alegria às famílias que fogem de seus países de origem em busca de um futuro melhor

Redação, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2018 | 08h49

TIJUANA, MÉXICO - Mais de 30 chefs internacionais cozinharam paella neste domingo, 23, para cerca de 2,3 mil migrantes da caravana de centro-americanos que vivem no albergue El Barretal, na cidade mexicana de Tijuana, enquanto esperam para cruzar a fronteira com os Estados Unidos ou regularizar sua permanência no México.

“Paella Solidária sem Fronteiras” foi o nome dado à iniciativa do chefe espanhol Armando Rodiel, conhecido como “El Valenciano”, e seu colega mexicano Vicente Ortiz, ambos moradores do sul da Califórnia, nos EUA.

Com 600 kg de arroz e uma tonelada e meia de lenha, os chefs começaram a preparar de madrugada o que chamaram de “prato da amizade”, que busca levar um pouco de alegria aos migrantes, explicou Rodiel, empresário restaurador da cidade americana de San Diego, na fronteira com Tijuana, conhecido como o fundador do festival “Paella Wine & Beer Fest”.

Quando acenderam o fogo com lenha no exterior do albergue e começaram a preparar a receita do prato típico valenciano, dezenas de migrantes também colaboraram com os chefs, que acrescentavam ingredientes e refogavam o arroz com carnes e verduras.

O evento planejado há duas semanas, ao que se juntaram outros cozinheiros que costumam participar de causas sociais, não tem motivações políticas, explicou Rodiel. O objetivo “é fazer para eles um menu diferente, não queremos entrar em polêmicas. A paella não tem fronteiras”, disse ele.

Não foram somente cozinheiros que se uniram à ação solidária. Perto do local estava Benjamín "Ben" Hueso, senador democrata e representante dos condados de San Diego e Imperial, cidades americanas muito próximas à fronteira, nas quais vive um grande número de hispânicos.

“Estamos celebrando com nossas irmãs e irmãos migrantes. Preparamos uma ceia de Natal para o prazer deles. Esperamos que obtenham o sucesso que buscam, um futuro melhor para suas famílias”, afirmou o deputado americano.

Natal em espera

“Somos todos irmãos, todos deveríamos nos ajudar quando pudermos e tivermos oportunidade”, disse Luis Arriaga, migrante hondurenho que já conhecia a paella, diferente de outras pessoas presentes. Ele ficou muito satisfeito com o sabor e a cor do prato.

Para Arriaga, a comida é “sensacional” não só pelo seu sabor, mas também pela circunstância em que pode prová-la. “Talvez a essa hora eu já teria perdido a vida se estivesse lá” em Honduras, afirmou.

Oriundo de San Antonio de Cortés, município de 20 mil habitantes, de onde partiu junto a sua mulher e único filho de 1 ano e meio, ele foge da violência e da pobreza como o resto dos migrantes.

“Vivíamos com medo, por isso saímos para pedir asilo nos EUA e, enquanto estamos aqui, esperamos nossa vez”, conta ele enquanto observa o filho se divertir com um brinquedo que deram como presente de Natal.

Para as mais de 2 mil pessoas presentes foram necessários 600 kg de arroz, que foram combinados a carne de frango e porco, além de verduras. Tudo começou a ser feito durante a madrugada. A tonelada e meia de lenha foi usada para dar o sabor característico que tem uma paella “de verdade”, explicou “El Valenciano”. As filas para degustar o prato típico partiam do interior do albergue.

Cerca de 30 voluntários se uniram para preparar os alimentos. “Dá muita satisfação, neste momento tão difícil para eles, compartilhar um pouco do que se tem, um pouco de carinho com cada um deles”, descreveu Sergio Infanzón, coordenador da Coalizão de Migrantes Mexicanos, que viajou dos EUA para ajudar na iniciativa. / AFP

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