EFE/Cristobal Herrera
EFE/Cristobal Herrera

Chega a Cuba o primeiro voo comercial dos EUA em mais de 50 anos

Aeronave da JetBlue teve todos os 150 assentos vendidos e partiu com festa no aeroporto, com direito a balões coloridos e presença de uma banda de salsa

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2016 | 12h59

SANTA CLARA, CUBA - O primeiro voo comercial regular entre Estados Unidos e Cuba em mais de 50 anos aterrissou nesta quarta-feira, 31, no aeroporto Abel Santamaría, na cidade de Santa Clara, às 10h57 locais (11h57 em Brasília).

A aeronave da companhia aérea americana JetBlue saiu do aeroporto de Fort Lauderdale, no sudeste da Flórida, em clima de festa. Diante da porta de embarque da empresa, uma banda de salsa ao vivo cantava clássicos como "Guantanamera" e "Me voy pa'Mayari".

Com seus 150 assentos vendidos, o voo 387 da JetBlue partiu às 09h45 locais (10h45 em Brasília) e, pouco mais de uma hora depois, chegou em Santa Clara.

"Às vezes lembramos grandes momentos da história", disse Mark Gales, chefe executivo do aeroporto, mencionando a queda do muro de Berlim e a chegada do homem à Lua. Parafraseando a famosa frase de Neil Armstrong, o primeiro ser humano que pisou na Lua, acrescentou: "Este é um pequeno voo para os passageiros, mas um enorme avanço na reconexão da humanidade".

Os passageiros começaram a embarcar em meio a aplausos, gritos, lágrimas e balões coloridos. Um deles, Domingo Santana, de 53 anos, foi o primeiro a comprar a passagem do primeiro voo comercial a Cuba depois de ter deixado a ilha quando tinha seis anos. "Estou muito orgulhoso, muito emocionado", disse ele. "Nunca fui ao meu país, não conheço meu país. É uma grande oportunidade".

"Esta reabertura nos beneficiou", comentou outra passageira, Aleisy Barreda, de 46 anos. "Não apenas em preços, mas também em facilidades para comprar as passagens. Agora só falta ter mais férias."

O secretário de Transporte americano, Anthony Foxx, viajará a Cuba "coincidindo com este voo inaugural", informou o Ministério de Transporte da ilha.

Este é o primeiro voo regular entre os dois países desde 1961, quando o tráfego aéreo foi suspenso em razão da Guerra Fria. Washington e Havana restabeleceram em fevereiro deste ano os voos comerciais, mais um passo dentre as mudanças promovidas pelo restabelecimento dos laços diplomáticos, que começou em julho de 2015.

"É um marco histórico nas relações entre os dois países", comentou Jorge Duany, diretor do Instituto de Investigações Cubanas da Universidade Internacional da Flórida (FIU). Os voos regulares "permitirão um movimento mais fluído de pessoas, mercadorias, informação e ideias entre dois lugares muito próximos geograficamente, mas muito distantes politicamente", acrescentou.

Moda. O embargo de Washington ainda proíbe o turismo em Cuba, mas os americanos podem viajar dentro de outras 12 categorias. As mais utilizadas são o intercâmbio cultural ou educacional.

"Há muito interesse em Cuba, é um lugar que está quente agora, ficou na moda", disse Frank González, dono da agência Mambí Tours, que oferece pacotes para americanos com estúdios de música ou candomblé.

Desde que foi liberada a possibilidade de viajar a Cuba, em 2015, as visitas bateram um recorde: 161 mil em 2015, 77% a mais do que no ano anterior, de acordo com o Ministério do Turismo da ilha.

Desde 1979, os voos "charters" supriram a demanda e até esta semana havia apenas 30 voos diários. Normalmente, a passagem em um charter a Cuba custa entre US$ 400 e US$ 500, enquanto a JetBlue cobrará US$ 99 a ida e cerca do dobro para ida e volta.

O voo inaugural foi pilotado pelo capitão Mark Luaces e pelo primeiro oficial Francisco Barreras, ambos americanos de pais cubanos, informou JetBlue. A aeronave recebeu um "saúdo com canhão de água", uma tradição na aeronáutica na qual os aviões são banhados antes de partir pela primeira vez a um destino.

Veja abaixo: O primeiro cruzeiro entre EUA e Cuba em 50 anos

O voo inicial será seguido na quinta-feira por um da Silver Airways, também a Santa Clara, e depois pelos da American Airlines, a partir de 7 de setembro. Ao longo dos próximos meses a regularidade dos voos aumentará até chegar a 110 diários, 20 deles a Havana.

Autoridades americanas ainda não decidiram quais companhias servirão à capital. Por enquanto, voarão a nove aeroportos provinciais as companhias JetBlue, American, Silver, Frontier, Southwest e Sun Country. / AFP e EFE

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