AP Photo/Fernando Vergara
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Venezuela bloqueia na Colômbia comida e remédio enviados pelos EUA

Juan Guaidó disse que, se Maduro não permitir a entrada da ajuda humanitária, ele pretende convocar “centenas de milhares de pessoas” para a fronteira para pressionar o governo

Redação, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2019 | 17h51

CÚCUTA, COLÔMBIA - A primeira carga de ajuda humanitária internacional enviada pelos Estados Unidos para atenuar a crise vivida na Venezuela chegou à cidade colombiana de Cúcuta, na fronteira entre os dois países, informou nesta quinta-feira a embaixada dos Estados Unidos em Bogotá.

O carregamento, levado por caminhões, não cruzou a fronteira em razão da recusa do presidente Nicolás Maduro, que considera o envio um pretexto para uma intervenção americana no país.

"Primeiros caminhões de ajuda humanitária da Usaid estão na Colômbia, enquanto os Estados Unidos posicionam artigos de assistência destinados à Venezuela. A pedido do presidente interino, Juan Guaidó, trabalhamos para entregá-los o mais rápido possível", escreveu a embaixada no Twitter.

“Mais de 50 toneladas de ajuda humanitária dos EUA já estão na Colômbia”, disse ontem o senador republicano Marco Rubio, em sua conta no Twitter. “O futuro dos líderes militares em uma Venezuela pós-Maduro dependerá da decisão de autorizar ou não a entrada de ajuda para o povo.”

A Embaixada dos EUA em Bogotá confirmou a chegada do carregamento. “A pedido do presidente interino, Juan Guaidó, trabalhamos para entregá-los o mais rápido possível”, anunciou a embaixada americana, também por meio de sua conta no Twitter.

Guaidó, líder opositor que se autoproclamou presidente da Venezuela no mês passado, disse que, se Maduro não permitir a entrada da ajuda humanitária, ele pretende convocar “centenas de milhares de pessoas” para a fronteira para pressionar o governo pela entrada de medicamentos e de alimentos no país. 

“Nosso objetivo é garantir o acesso dessa população a esses insumos. Isso significa mobilizar centenas de milhares de venezuelanos em territórios próximos aos pontos de entrega”, disse Guaidó ao diário uruguaio El País

Neste cenário, a Guarda Nacional Bolivariana teria de lidar com os mantimentos acumulados no lado colombiano e protestos do lado venezuelano da fronteira. Nos últimos dias, Guaidó tem dito que um dos objetivos da operação é estimular rupturas dos militares com Maduro. 

“Faço um chamado às Forças Armadas: em poucos dias, vocês poderão escolher se estão do lado de alguém cada vez mais isolado ou se acompanharão os milhares de venezuelanos que precisam de comida e de remédios”, escreveu Guaidó, também no Twitter. 

De acordo com analistas, a estratégia opositora colocará Maduro diante de uma escolha: negar a ajuda, aumentado ainda mais seu isolamento internacional, ou aceitá-la, concedendo uma vitória política à oposição. Nas duas opções, ele sairia enfraquecido. 

“É uma situação similar à expulsão de diplomatas da embaixada americana: se ele interromper ou impedir a entrada da ajuda, atacando os comboios americanos, seria um ato hostil. Se ele permite a entrada da ajuda, reconhece que está debilitado politicamente”, disse ao Estado Luis Vicente León, do Instituto Datanalisis. “A estratégia da oposição é colocá-lo cada vez mais perto de perder apoios e de reconhecer a própria debilidade.”

Vistos.

Os EUA cancelaram nesta quinta-feira os vistos de membros da Assembleia Constituinte da Venezuela, eleita com poderes legislativos, que substituiu a Assembleia Nacional, controlada pela oposição. “Estamos revogando vistos de membros da Assembleia Constituinte ilegítima”, disse Elliot Abrams, enviado para a Venezuela do secretário de Estado, Mike Pompeo.

Em entrevista à Fox Business, Pompeo acusou o Hezbollah, movimento xiita libanês aliado ao Irã, de ter um papel importante na desestabilização da Venezuela. 

“As pessoas não se dão conta que o Hezbollah tem células ativas, que os iranianos estão afetando o povo da Venezuela e toda a América do Sul. Temos a obrigação de reduzir esse risco para os EUA”, disse o americano. Segundo ele, a questão será debatida na semana que vem na conferência de ministros em Varsóvia, na Polônia, sobre o Oriente Médio. 

Questionado se os EUA estão preocupados com a possibilidade de a Venezuela receber militantes ligados ao terrorismo islâmico radical, Pompeo disse que o Hezbollah opera no país e isso representa um risco para a segurança americana. / COLABORARAM TÂNIA MONTEIRO E LUIZ RAATZ

 

 

 

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