Chega ajuda à região do sismo na Indonésia; mortos passam de mil

A ajuda para milhares de sobreviventes do terremoto que atingiu a cidade portuária de Padang começou a chegar nesta sexta-feira, mas os esforços de resgate são prejudicados pelos cortes de energia e falta de equipamento pesado para a remoção dos escombros.

SUNANDA CREAGH, REUTERS

02 de outubro de 2009 | 21h12

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que mais de mil pessoas morreram por causa do sismo que afetou Padang, cidade de cerca de 900 mil habitantes situada em uma das falhas de maior atividade sísmica do chamado "Cinturão do Fogo." As autoridades temem que milhares de pessoas estejam presas sob os escombros.

A agência de controle de catástrofes naturais da Indonésia informou que o número de mortos e desaparecidos confirmados até agora é de 806 pessoas.

Equipes de resgate escavavam freneticamente entre pilhas de escombros de uma escola e de outros edifícios que desabaram, localizando ocasionalmente sobreviventes, mas na maior parte resgatando apenas corpos.

Quando escureceu foram acesas fogueiras sobre os edifícios destruídos para que as equipes pudessem continuar o trabalho durante a noite.

"Até agora as vítimas receberam ajuda, mas precisamos que ela seja intensificada", disse a chefe da Cruz Vermelha da Indonésia, Marie Muhammad. "Ainda há muitas estradas bloqueadas pelos deslizamentos de terra", acrescentou.

O presidente do país, Susilo Bambang Yudhoyono, visitou a área do desastre e disse que destinará 10 milhões de dólares para a ajuda às vítimas. "Esta é uma emergência, a velocidade é importante", afirmou Yudhoyono.

Os governos de Taiwan e das Filipinas foram duramente criticados nas últimas semanas por sua resposta a desastres naturais, considerada lenta pela população, mas o analista político Kevin O'Rourke disse em Jacarta que é improvável que Yudhoyono sofra revés semelhante.

"Yudhoyono é o tipo de político que tende a transmitir o tipo de imagem que as pessoas buscam quando esses desastres acontecem", opinou O'Rourke sobre o presidente, que é general reformado.

Uma escavadeira gigante, doada por uma fábrica de cimento, avançava entre as pilhas de ferro retorcido e escombros, restos de uma escola de três andares na qual dezenas de alunos assistiam às aulas quando ocorreu o terremoto, sentido também em Cingapura e na Malásia.

"Retiramos 38 crianças desde o terremoto. No primeiro dia, algumas delas estavam vivas, mas as últimas estavam todas mortas", disse Suria, líder da equipe de resgate que, como muitos outros indonésios, só usa um nome.

O chefe da ajuda humanitária da ONU, John Holmes, disse em uma entrevista à imprensa nos escritórios centrais da organização em Nova York, nos EUA, que cerca de 1.100 pessoas morreram por causa do terremoto, de magnitude de 7,6.

O ministro da Saúde da Indonésia disse que a destruição não parecia ser tão grande como se temia inicialmente, mas alertou que a cifra de mortos pode ser de alguns milhares. "Prevejo que o número chegará a 4 mil", afirmou Siti Fadillah Supari, citado pelo site de notícias "detik.com".

Austrália, Coreia do sul e Japão foram alguns dos países que ofereceram ajuda. O Exército australiano afirmou que está enviando engenheiros, equipes de resgate, um hospital de campanha em um barco e helicópteros para tarefas de busca em lugares remotos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que passou um período na Indonésia quando criança, também ofereceu ajuda. "A Indonésia é um país extraordinário que atravessou situações de penúria por causa dos desastres naturais", afirmou.

(Reportagem adicional de Telly Nathalia e Muklis Ali em Jacarta)

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