Chega aos EUA a 1ª dissidente de Cuba após doença de Fidel

A primeira dissidente a sair de Cuba após Fidel Castro transmitir temporariamente o poder a seu irmão Raúl disse, nesta quarta-feira, 16, ao chegar aos Estados Unidos que teme que o regime castrista aumente a repressão.Lissette Fernández Carvallo declarou que os cubanos sentem mais temor por Raúl Castro que por Fidel. "Eu temo que comece uma onda ainda mais repressiva contra a oposição e o povo", contou.Antes de ir para o exílio, a opositora trabalhava em uma campanha contra a discriminação econômica que reivindicava o uso da moeda nacional (o peso cubano) em todos os estabelecimentos comerciais de Cuba.O movimento, cujo nome é "com a mesma moeda", tenta fazer com que o Governo cubano pare de "continuar reduzindo os cubanos à triste condição de cidadãos de segunda classe" ao negar a eles o direito de se hospedarem em hotéis de luxo, de terem serviços médicos de qualidade e de poderem realizar pagamentos com sua própria moeda.Fernández afirmou que a luta para conseguir um processo democrático tem maior importância quando "o regime (castrista) está passando por um momento muito difícil"."Estamos clamando para que haja uma mudança pacífica em Cuba e para que não se derrame mais sangue no país", declarou a opositora, que chegou ao aeroporto internacional de Miami em um vôo procedente de Cancún (México) e que ainda viajaria para Houston (Texas), onde irá morar com sua família.A dissidente presidia a Federação Latino-Americana de Mulheres Rurais (Flamur), organização de camponesas que ajuda a criar pequenas e médias empresas independentes no setor agrícola e que tenta resgatar jovens da prostituição."Nunca quis abandonar minha pátria, pois sempre acreditei que eram os irmãos Castro (Fidel e Raúl) que deviam ir embora, porém fomos violentamente reprimidos e fomos alvo de atos de repúdio que deixaram muitas marcas em meus filhos", declarou em uma entrevista telefônica.Após expressar sua alegria pelo fato de os Estados Unidos a estarem apoiando, também disse que está "muito triste por esta liberdade ser emprestada".Omar López Montenegro, diretor de direitos humanos da Fundação Nacional Cubano Americana (FNCA), disse que Fernández é "a primeira dissidente que sai de Cuba após a transferência de poder".Ele afirmou que a campanha iniciada por Fernández em Cuba é uma mostra de que a oposição está ativa e que continuará "funcionando independentemente da sucessão do poder".

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