Chegada da polícia põe fim a confronto entre mineiros bolivianos

Os dois grupos de mineiros bolivianos do povoado andino de Huanuni encerram o confronto nesta sexta-feira, após a intervenção da Polícia Nacional, informou uma fonte oficial.O coronel Miguel Ulloa, comandante do grupo enviado pelas autoridades, disse que os mineiros das cooperativas aceitaram suspender seus ataques.Os 700 policiais chegaram às jazidas em torno do meio-dia, onde o choque entre cooperativados e funcionários da estatal Corporación Minera de Bolivia (Comibol) deixou 16 mortos e 61 feridos, segundo números oficiais."Acabou todo tipo de hostilidade", disse o chefe policial por telefone à emissora de rádio Panamericana.Desde a manhã desta sexta, os trabalhadores que se encontram na zona alta do monte Posokoni, onde ficam as jazidas, haviam lançado contra o grupo rival bombas com as mãos, estilingues e pneus, segundo os respresentantes do setor sindical, que se situa na zona baixa. "Agora está tranqüilo. Tomara que consigamos manter assim a situação conquistada por meio da persuasão", disse o coronel. Ulloa acrescentou que os integrantes do sindicato de trabalhadores da Empresa Minera Huanuni, dependentes da estatal Comibol, estão em seus acampamentos.O destacamento enviado ao povoado ficará no local até "a espera da convocação das autoridades" dos líderes de ambos os setores para que se comecem as negociações. ConflitoA causa do conflito entre mineiros bolivianos da estatal Comibol e cooperativados (privados) do povoado de Huanuni é o controle da principais jazidas de estanho do país, entre as maiores do planeta, localizadas no monte Posokoni. A tensão começou na quinta-feira, por volta do meio-dia, quando cooperativados tentaram ocupar a mina, onde trabalham assalariados e sindicalizados. Calcula-se que mais de 60 mil mineiros vinculados a cooperativas busquem o direito de explorar as jazidas de estanho sob o controle da Comibol. Fazia meses que os trabalhadores vinham disputando entre si a posse das jazidas. Os funcionários da estatal passaram a dominar o local em maio, quando o presidente Evo Morales decidiu nacionalizar o gás natural e o petróleo bolivianos.Desde setembro, os cooperativados barravam as estradas que servem de acesso não só a Huanuni, mas também a outras minas da região.Já havia suspeitas de que as cooperativas tinham a intenção de tomar a jazida a partir das três horas da manhã de quinta-feira. Mesmo assim, os funcionários da estatal continuaram a trabalhar normalmente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.