Jose Luis Gonzales/REUTERS
Jose Luis Gonzales/REUTERS

Chegada de Biden ao poder gera receio e esperança aos imigrantes nos EUA

Durante o governo Obama, do qual o democrata foi vice-presidente, houve um recorde de deportações

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2020 | 05h00

WASHINGTON - A chegada de Joe Biden ao poder nos Estados Unidos gera expectativas, mas também suspeitas entre os imigrantes, que vislumbram um alívio após quatro anos de políticas restritivas de Donald Trump, mas não esquecem as duras medidas adotadas quando ele era vice-presidente no governo de Barack Obama.

Biden prometeu a regularização de 11 milhões de "indocumentados" - imigrantes em situação irregular que vivem no país - e a reinstalação de sistemas de proteção, como o que protege da deportação os chamados "Dreamers" ("sonhadores"), jovens que chegaram ao país menores, junto com os pais.

"Não sou muito fã de Biden, mas estou otimista que este governo tentará trabalhar conosco", disse à agência France Presse Gabriela Hernández, uma "Dreamer", de 22 anos, que chegou de El Salvador com a mãe, aos 5 anos. 

Com a mesma situação, há cerca de 700 mil jovens que viveram em condição ilegal nos EUA por toda sua vida até que, em 2012, o presidente democrata lhes concedeu o status de proteção de Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), que ficou conhecido como 'Dreamers', por meio de um decreto.

Os "sonhadores" viveram no limbo durante a Presidência de Trump, que decidiu cancelar essa proteção, dando início a uma longa batalha judicial.

Qualquer mudança permanente que Biden queira implementar terá de passar pelo Congresso. Os democratas são maioria na Câmara dos Deputados, mas ainda não se sabe quem controlará o Senado, já que as duas cadeiras da Geórgia serão definidas em um segundo turno em 5 de janeiro. A maioria nesta Casa depende do resultado destas eleições.

Com ou sem um Congresso alinhado, a tarefa é enorme, já que, no governo Trump, as mudanças na política migratória ocorreram em um "ritmo frenético e sem precedentes", indicou o Migration Policy Institute (MPI).

De acordo com esse centro de estudos, as mais de 400 ordens executivas assinadas pelo presidente republicano visavam a "desmantelar e reconstruir metodicamente o sistema, com base em uma visão global da imigração como uma ameaça". 

Para Gabriela, seu atual status de imigrante continua sendo uma solução "tampão" e é como "colocar um guarda-chuva sobre uma população de milhões de pessoas", em relação ao total de imigrantes "indocumentados". Jorge Benítez, também um "Dreamer", ainda tem "medo". Durante o governo Obama, do qual Biden foi vice-presidente, houve um recorde de deportações.

Também expressa reservas William Martínez, que chegou de El Salvador com sua família, depois que o país foi devastado por um terremoto em 2001. Ele está protegido da deportação pelo Estatuto de Proteção Temporária (TPS), mecanismo criado para estrangeiros, cujos países foram afetados por desastres naturais, ou por instabilidade política.

Trump também tentou remover essa proteção, uma batalha que continua nos tribunais.

William, de 28 anos, não espera "nada" de Biden. Ele afirma que qualquer solução virá de um acordo bipartidário. Por isso, pretende fazer campanha na Geórgia para garantir que os democratas controlem o Senado.

Um dos temas-chave serão os demandantes de refúgio na fronteira mexicana, mas o assessor de Biden, Juan González, já declarou à rede CNN que "não haverá mudanças imediatas"./AFP 

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