AP Photo/Darko Bandic
AP Photo/Darko Bandic

Chegada de imigrantes na Grã-Bretanha sobe 40% de 2014 para 2015

Saldo migratório recorde - 330 mil pessoas em 12 meses - foi divulgado nesta quinta pelo Escritório Nacional de Estatísticas; na Itália, previsão é que mais 20 mil imigrantes cheguem em setembro

O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 11h19

LONDRES - A Grã-Bretanha teve o maior saldo migratório (número de imigrantes menos número de emigrantes) desde que os números começaram a ser registrados, nos 12 meses anteriores a abril: 330.000 (+40%), segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira, 27.

Neste período chegaram à Grã-Bretanha 636.000 imigrantes, 84.000 a mais que nos 12 meses anteriores, enquanto que 307.000 britânicos (9.000 a menos) deixaram o país, o que constitui "o maior saldo migratório já registrado", anunciou o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS). O principal fator por trás deste aumento foi a chegada de 269.000 pessoas procedentes da União Europeia (UE), principalmente de Romênia e Bulgária.

O aumento contínuo do saldo migratório na Grã-Bretanha fez com que, pela primeira vez, os residentes no país nascidos no exterior superassem a marca de oito milhões, ou seja, um em cada oito moradores. Em 2004 o número era de 5,3 milhões, um em cada 11.

Os dados representam um problema político para o primeiro-ministro David Cameron, que vê em seu Partido Conservador uma intensificação dos pedidos de medidas duras contra a imigração. Cameron prometeu reduzir o saldo migratório para abaixo de 100.000, mas a boa situação econômica do país atrai cada vez mais pessoas.

Os números são "decepcionantes", afirmou o secretário de Estado para a Imigração, James Brokenshire, antes de completar que devem constituir "um aviso para a União Europeia". O governo de Cameron, que planeja organizar um referendo sobre a possibilidade de saída do bloco europeu até 2018, pede a Bruxelas medidas para frear a imigração dentro da UE.

Apesar do alarmismo, a Grã-Bretanha recebeu apenas 25.711 pedidos de asilo nos 12 meses anteriores a julho de 2015, número bem inferior ao recorde de 84.132 registrado em 2002, segundo o ONS. Eritreia, Paquistão e Síria foram os países, nesta ordem, de onde vieram a maioria dos demandantes.

Itália. O Ministério do Interior da Itália prevê a chegada de outros 20.000 imigrantes pelo Mar Mediterrâneo em setembro, que se somarão aos mais de 111.000 que já desembarcaram no país nesse ano.

Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira, 27, pelos meios de comunicação italianos, a maioria dos refugiados são eritreus (29.019), nigerianos (13.788), somalis (8.559), sudaneses (6.745) e sírios (6.324), países com guerras ou conflitos duradouros em andamento, razão pela qual quase todos têm direito a alguma forma de proteção internacional.

Devido às contínuas e maciças chegadas de refugiados - apenas na quarta-feira foram resgatados 3.000 -, o Ministério do Interior está pensando em abrir antigas prisões ou áreas industriais abandonadas para receber estas pessoas, já que os centros tradicionais começam a entrar em colapso.

Segundo o jornal "La Repubblica", o sistema de acolhida está perto de atingir o seu limite, pois atualmente atende 93.608 refugiados.

Hungria. Os migrantes continuam chegando em massa à Hungria a partir da fronteira com a Sérvia, e um novo recorde foi estabelecido na quarta-feira, com a entrada de 3.241 pessoas, anunciou a polícia.

Entre os refugiados, em sua maioria procedentes da Síria, Afeganistão e Paquistão, estão 700 crianças.

A maioria dos migrantes atravessou a fronteira na localidade húngara de Roszke.

Este ponto é o único trecho da fronteira no qual ainda não está concluída a barreira de quatro metros de altura que a Hungria está construindo para blindar as passagens, um projeto que pretende cobrir os 175 quilômetros que separam o país da Sérvia.

Desde o início do ano, a Hungria recebeu um fluxo de migrantes sem precedentes com mais de 140.000 chegadas, ou seja, mais que o dobro do total de 2014. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.