Chegada de lixo nuclear provoca protestos

Um trem que transporta cerca de 60 toneladas de lixo nuclear em seis contêineres fechados partiu da França e chegou à Alemanha na noite desta segunda-feira, onde era esperado por irritados manifestantes espalhados ao longo do caminho até um depósito de lixo nuclear.O trem cruzou a fronteira ao sul da cidade alemã de Woerth pouco depois das 23h locais. O veículo faz uma viagem de 600 quilômetros até o depósito de Gorleben. Com a esperança de evitar a violência, a Alemanha colocou 15.000 oficiais de polícia em alerta antes de o trem partir lentamente na direção da cidade fronteiriça de Woerth, no oeste da Alemanha. Cerca de 2.000 policiais aguardavam o trem na fronteira, e a estação de Woerth estava fortemente guardada. Manifestantes estavam acampados à espera do trem. Um grupo de pessoas que tentavam bloquear os trilhos foi retirado pela polícia. No norte do país, algumas pessoas sentaram-se nos trilhos nas proximidades do depósito de lixo radioativo para onde seguia a carga. Cerca de quatrocentas foram retiradas e pelo menos 35 foram presas por danificar um trecho de 50 metros de trilhos. O impacto do fretamento já foi sentido em Berlim: o Partido Verde ouviu acusações de traição por parte de ativistas antinucleares que fazem parte do seu rol de partidários. Enraizado no movimento antinuclear, o partido participa hoje do governo que aprovou a passagem da primeira remessa de lixo nuclear pela fronteira desde 1997. A carga é composta de lixo radioativo gerado pelo combustível nuclear de usinas de energia alemãs que foi reprocessado em uma usina francesa. De acordo com os ativistas, as autoridades competentes haviam preparado pelo menos nove rotas alternativas para que o trem pudesse chegar à Alemanha sem atravessar áreas onde estejam ocorrendo manifestações. A polícia, que há quatro anos entrou em choque com manifestantes, prometeu adotar uma postura rígida contra qualquer eventual bloqueio imposto pelos militantes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.