U.S. Army/Handout via REUTERS
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Chelsea Manning, fonte dos vazamentos do WikiLeaks, deixa a prisão nesta quarta-feira

Quando chegou aos quartéis militares, Manning era um soldado chamado Bradley, que surpreendeu o mundo ao vazar mais de 70 mil documentos sigilosos militares e diplomáticos por meio do WikiLeaks

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 16h32

WASHINGTON - Após sete anos na prisão, Chelsea Manning sairá na quarta-feira, 16, da detenção militar americana de Fort Leavenworth, no Estado do Kansas, para poder completar finalmente em liberdade sua transição como mulher transgênero.

Quando chegou aos quartéis militares, Manning era um soldado chamado Bradley, que surpreendeu o mundo ao vazar mais de 70 mil documentos sigilosos militares e diplomáticos por meio do WikiLeaks. 

Sua liberação foi possível após a comutação da pena autorizada pelo presidente Barack Obama nos últimos dias de seu mandato. 

Sem esse presente de Obama, Manning teria de permanecer atrás das grades até 2045 para cumprir uma sentença de 35 anos. Seus simpatizantes se preocupavam de que não fosse capaz de sobreviver a esta longa sentença. 

Manning, agora com 29 anos, tentou cometer suicídio duas vezes no ano passado e fez uma greve de fome para denunciar as medidas disciplinares às quais foi submetida. 

Mas um ciclo devastador de depressão, medidas desesperadas e confinamento solitário terminam agora e Manning poderá virar uma nova página. 

"Pela primeira vez, posso ver um futuro para mim como Chelsea. Posso imaginar sobreviver e viver como a pessoa que sou e finalmente posso estar do lado de fora no mundo", escreveu na semana passada. "A liberdade é algo com a qual costumava sonhar, mas nunca me permiti imaginá-la totalmente", disse. 

"Agora, a liberdade é algo que vou experimentar novamente com amigos e entes queridos depois de quase sete anos atrás das grades, de períodos de confinamento solitário e restrições aos cuidados de saúde e autonomia, incluindo a rotina forçada de cortar o cabelo."

Manning teve uma infância difícil. Após seus pais se divorciarem, se mudou para Gales com sua mãe, que reprimia sua orientação sexual e ridicularizava seu jeito afeminado. 

O Exército quer, portanto, que sua libertação ocorra sem alarde. Não está prevista nenhuma coletiva de imprensa. "Para garantir a privacidade e a segurança da interna Manning, não será divulgada nenhuma informação relacionada a sua libertação", disse Dave Foster, porta-voz do Exército, em um comunicado. 

Chelsea Manning, de quem há poucas fotos públicas disponíveis, pode encontrar refúgio na casa de uma tia em uma região de Washington.  Confia ainda em uma sólida rede de voluntários que estão prontos para ajudar. 

Praticamente desconhecida no momento de sua prisão, Manning é agora uma figura conhecida em todo o mundo. / AFP 

 

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