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Chelsea Manning volta à prisão por desacato

A ex-analista militar rejeitou prestar declarações sobre os segredos revelados no site WikiLeaks

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 22h20

WASHINGTON - A ex-analista do Exército dos Estados Unidos Chelsea Manning foi presa nesta quinta-feira mais uma vez, agora por desacato, após se negar a prestar depoimento a um juiz federal sobre os segredos militares e diplomáticos revelados por ela ao site WikiLeaks.

Manning passou 2 meses atrás das grades por não querer colaborar com o caso e havia deixado a prisão na semana passada.

Seis dias depois da libertação, o juiz federal Anthony Trenga exigiu outra vez que a ex-analista falasse sobre a colaboração com o WikiLeaks e determinou a prisão por desacato após a nova recusa.

O juiz determinou uma multa diária de US$ 500 a Manning se ela não colaborar em um prazo de até 30 dias. A punição subirá para US$ 1.000 diários se ela continuar em silêncio por mais de dois meses.

Antes do julgamento, Manning disse a jornalistas que preferia ficar presa do que ser testemunha. "Não importa o que ocorra hoje. Não vou colaborar com esse grande júri", anunciou a ex-militar.

Manning foi intimada a depor várias vezes nas investigações sobre o fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Os advogados da ex-analista disseram que ela se recusará a falar sobre o ativista australiano.

A ex-militar foi condenada em 2013, quando ainda era tratada pelo gênero masculino e pelo nome de origem, Bradley Manning, a 35 anos de prisão por ter sido responsável pelo maior vazamento de documentos secretos da história dos EUA.

Manning deixou a prisão em maio de 2017, após cumprir um quinto da pena, graças ao perdão presidencial assinado pelo então presidente americano, Barack Obama, em janeiro do mesmo ano, três dias antes de deixar a Casa Branca.

Como analista de inteligência militar, Manning fez vazar mais de 700 mil documentos secretos ao WikiLeaks. Eles continham informações secretas sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, além de milhares de mensagens enviadas por diplomatas americanos.

No julgamento, Manning assumiu a responsabilidade pelo vazamento, disse se arrepender do que fez e atribuiu o crime aos problemas de aceitação de sua opção sexual dentro do Exército. / EFE

 

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