Cheney amplia laços com ex-soviéticos

Na Geórgia, vice dos EUA qualifica de ?ilegítima? a ação militar russa

AFP, AP e Reuters, Tbilisi, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2008 | 00h00

O vice-presidente americano, Dick Cheney, encontrou-se ontem com os presidentes da Geórgia e da Ucrânia e condenou a Rússia por sua "tentativa ilegítima e unilateral de alterar as fronteiras da Geórgia". A visita faz parte da campanha dos EUA para reafirmar seu apoio a antigas repúblicas soviéticas. Ao lado do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, Cheney confirmou o interesse americano de que a Geórgia entre na Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Os EUA estão plenamente comprometidos com o projeto georgiano de aderir à aliança."Segundo o vice americano, as ações militares russas levantam dúvidas sobre a confiabilidade de Moscou como parceiro para a comunidade internacional. A viagem de Cheney, um duro crítico do Kremlin, indica que os EUA pretendem manter estreitos laços com as antigas repúblicas soviéticas que se opõem à Rússia.Cheney pediu abertamente a todos os aliados americanos que se posicionem em favor da Geórgia e contra a Rússia na disputa entre os dois países. "Antes de serem chamadas para defender sua nação, as tropas georgianas estavam no Iraque. Agora, todo o mundo livre tem a responsabilidade de colocar-se ao lado da Geórgia."Em Moscou, Konstantin Kosachyov, chefe do comitê de políticas externas da Câmara, acusou Cheney de tentar criar um "eixo anti-Rússia". Outras autoridades do Kremlin disseram que o Exército americano está servindo de instrumento para a Geórgia recuperar à força a Ossétia do Sul. ENERGIANa quarta-feira, quando visitou o Azerbaijão, Cheney pediu a abertura de mais rotas de exportação para a energia do Cáucaso. "A segurança energética é essencial para todos. Os EUA acreditam que as nações da Europa, incluindo a Turquia, devem trabalhar no Azerbaijão para abrir rotas de exportação de gás e petróleo", disse Cheney.Atualmente, os EUA e a União Européia trabalham para impulsionar o Projeto Nabucco, que prevê a construção de um duto de 3.300 quilômetros que garantiria o fluxo de gás para a Europa sem passar pela Rússia.

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