Cheney e democratas discutem por saída britânica do Iraque

O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, bateram boca na quarta-feira, 21, depois de Cheney acusar a bancada contrária à ampliação do contingente militar no Iraque de "validar a estratégia da Al-Qaeda". A democrata Pelosi reagiu dizendo que a declaração estava "abaixo" da dignidade de seu cargo e provavelmente seria repudiada pelo presidente George W. Bush. Em visita a Tóquio, Cheney elogiou o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, por apresentar um cronograma para a retirada das suas forças do Iraque, o que segundo o vice americano é um sinal de progresso. Mas, na opinião dele, os esforços dos democratas para impedir a ampliação do contingente norte-americano e retirar as tropas é um rumo errado, nocivo à "guerra ao terrorismo". "Acho que na verdade se fizéssemos o que a presidente Pelosi e o parlamentar (democrata John) Murtha estão sugerindo, tudo o que faremos será validar a estratégia da Al-Qaeda, que é romper a disposição do povo norte-americano", disse Cheney à ABC News. "Acho esse exatamente o rumo errado a tomar (...), seria um erro para o país." Murtha, que sempre se opôs à guerra do Iraque, pretende apresentar em março um projeto impondo condições à liberação de verbas militares, o que na prática impediria o envio de 21,5 mil soldados a mais. "O vice-presidente Cheney continua questionando o patriotismo dos que no Congresso contestamos as políticas equivocadas do governo Bush no Iraque, mas seu novo ataque está abaixo do cargo de vice-presidente, especialmente em tempo de guerra", disse Pelosi em nota. "Espero que o presidente (George W. Bush) repudie e se distancie dos comentários do vice-presidente." Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca, respondeu que "o vice-presidente não estava questionando o patriotismo de ninguém". "Ele estava questionando uma estratégia que ele acredita ser nociva à nossa segurança nacional", acrescentou. A Câmara aprovou na semana passada uma resolução simbólica contra o envio de mais soldados ao Iraque, onde já há 139 mil militares dos EUA. Na quarta-feira, Blair, aliado incondicional de Bush, disse que 1.600 dos 7.100 soldados britânicos vão ser retirados do Iraque nos próximos meses. Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostram que a maioria dos norte-americanos é contra o envio de soldados adicionais. Os democratas usaram a decisão de Blair para tentar demonstrar que a retirada é o melhor a fazer. "Não pode haver uma solução puramente militar no Iraque", disse o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. "Num momento em que o presidente Bush pede a nossas tropas que arquem com o ônus maior e insustentável de policiar uma guerra civil, suas políticas fracassadas nos deixam cada vez mais isolados no Iraque e inseguros em casa", disse. A Dinamarca também anunciou a retirada das suas tropas terrestres do Iraque até agosto, substituindo-as por uma pequena unidade de quatro helicópteros. Já a Austrália disse que não pretende reduzir seu contingente de 1.400 soldados.

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