Cheney fala de terror no Iêmen preocupado com Oriente Médio

O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, prometeu hoje mais ajuda ao Iêmen numa tentativa de consolidar o frágil apoio do país à guerra antiterrorismo. Mas o presidente iemenita Ali Abdullah Salen disse que sua preocupação maior é com o conflito israelense-palestino.Salen afirmou ter discutido com Cheney a cooperação bilateral e internacional contra o terrorismo e que eles concordaram "que a luta contra o terror é a maior e deve continuar". Depois de duas horas de reunião, Cheney disse que estava "desenvolvendo relações cada vez mais próximas com o Iêmen".A escalada da violência entre israelenses e palestinos foi a preocupação maior do presidente iemenita no encontro, segundo assessores. Falando em árabe, Saleh afirmou a repórteres que seu país quer "um intenso esforço para se pôr fim à violência e para pressionar Israel a cumprir resoluções internacionais e acabar com sua agressão contra os palestinos".Assessores disseram que Cheney iria questionar Saleh sobre que tipo de apoio ele precisava para evitar que seu país venha a se tornar um santuário para a Al-Qaeda e outras organizações terroristas. Os EUA já enviaram assessores militares para treinar forças de segurança no patrulhamento da costa de 2.400 km do Iêmen. Depois de reunir-se com Saleh no aeroporto, Cheney rumou para Omã, outra nação do Golfo Pérsico.Um funcionário do governo iemenita, que pediu para não ser identificado, disse que um dos assuntos discutidos por Saleh e Cheney foi a promessa norte-americana de enviar em breve mais assessores militares ao Iêmen. O atual plano é do envio de pelo menos três equipes de 20 a 30 assessores dos EUA para passarem vários meses no Iêmen, disse.Entretanto, o funcionário afirmou que seu país também busca o aumento da ajuda econômica dos EUA, incluindo dinheiro para o reforço de patrulhas costeiras. Mas ele adiantou que existe um forte sentimento contra a possibilidade de tropas norte-americanas perseguirem terroristas no Iêmen. "Trata-se de uma guerra do Iêmen contra o terrorismo, mas nós queremos fazer isso por nós mesmos", disse. "Não queremos que os americanos se envolvam nos combates."Oito partidos de oposição do Iêmen emitiram um comunicado dizendo que a visita de Cheney "levará a um banho de sangue maior do que está ocorrendo todo dia na terra palestina e no sitiado Iraque"."Com sua visita, a administração dos EUA está oferecendo promessas vagas e flexíveis sobre a questão palestina para ter carta branca para atacar nosso irmão Iraque e criar circunstâncias adequadas para aumentar a influência militar americana na região", afirma-se no comunicado.Cheney diz que uma das propostas de sua viagem é convencer governos árabes a não oferecerem abrigo onde a Al-Qaeda, fortemente atingida no Afeganistão, possa se reorganizar.

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