Chile abre processo contra ex-agentes de Pinochet

A Justiça chilena abriu processo criminal contra os ex-chefes da DINA, a polícia secreta do general Augusto Pinochet, pelo assassinato em Buenos Aires do general Carlos Prats, ex-comandante do Exército chileno durante o governo do falecido ex-presidente socialista Salvador Allende, e da mulher de Prats, Sofía Cuthbert. O atentado que matou o casal exilado ocorreu na Argentina, em setembro de 1974. Os processados são quatro altos oficiais da reserva do Exército e um civil, acusados por associação ilícita e duplo homicídio: ex-generais Manuel Contreras e Raúl Iturriaga Neumann, os ex-brigadeiros Pedro Espinoza e José Zara e o civil Jorge Enrique Neumann, irmão de Raúl. O histórico processo só pôde ser aberto no Chile depois que a Corte Suprema rejeitou o pedido de extradição dos cinco, que havia sido feito pela juíza argentina María Servini de Cubría, que os processou em Buenos Aires pelo atentado. O tribunal, além de rejeitar a extradição, recomendou a abertura de um processo sobre o caso no Chile.Durante os interrogatórios, os ex-militares reiteraram sua inocência perante o juiz Alejandro Solís e responsabilizaram o ex-agente duplo da CIA e da DINA, o americano Michael Townley, como autor do crime. Townley confessou à juíza argentina em Buenos Aires ter sido o responsável por detonar a bomba que fez explodir o automóvel em que Prats viajava ao lado da esposa. O ex-agente americano também disse ter atuado junto com sua esposa, a escritora chilena e ex-agente da DINA Mariana Callejas. Na Argentina, a juíza Servini de Cubría também vinculou ao crime o general Pinochet, mas não pôde interrogá-lo - passo prévio para processá-lo - por oposição da Corte Suprema chilena, que alegou que a demência vascular do ex-ditador impedia que ele fosse processado.

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