Chile aprova o divórcio e deixa Malta isolado

Depois de dez anos de tramitação legislativa, o presidente do Chile, Ricardo Lagos, sancionou nesta sexta-feira uma lei que torna o divórcio legal no Chile pela primeira vez na história do país sul-americano. Com a sanção presidencial, o Chile deixou Malta no posto de único país ocidental carente de mecanismos para resolver conflitos matrimoniais. A nova lei, entretanto, somente entrará em vigor daqui a seis meses, dando tempo para que os juízes a estudem e para que se formem tribunais para julgar os casos. "Hoje é um dia importante para o Chile e suas famílias", disse Lagos em cerimônia concorrida no palácio presidencial de La Moneda. "Acho que sancionamos uma boa lei." Ao fundo, um telão trazia as inscrições: "Um Chile mais justo. Um Chile mais humano. Nova lei de matrimônio civil." A cadeira reservada na cerimônia para o cardeal Francisco Javier Errazuriz ficou vazia, refletindo a desaprovação da Igreja Católica à nova legislação, aprovada pelo Congresso chileno em 11 de março. Lagos fez uma referência indireta à oposição da Igreja à lei: "Não podemos impor as posições de um setor de nossa sociedade a todos os chilenos." O porta-voz da Igreja Católia no país, reverendo Pedro Fernández, disse que "hoje é um dia triste para a Igreja e para toda a comunidade católica". Segundo ele, a nova lei estraga a família.

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