Chile eleva tom e rejeita mapa peruano

Após convocar embaixador em Lima, governo chileno adverte que proposta peruana para fronteira marítima é ?inaceitável?

Santiago, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2015 | 00h00

O Chile reforçou ontem a pressão diplomática sobre o governo do Peru - que no domingo publicou no diário oficial um novo mapa marítimo, no qual incorpora ao seu território uma área de 35 mil quilômetros quadrados do Oceano Pacífico atualmente sob domínio chileno. Um dia depois de convocar o embaixador em Lima, o chanceler chileno, Alejandro Foxley, qualificou ontem o novo mapa peruano de "altamente inaceitável" porque, segundo ele, ultrapassa o que foi estabelecido anteriormente entre os dois governos. O chanceler reiterou que o Chile está "preparado para qualquer cenário" e afirmou que o documento emitido pelo Peru não tem base jurídica. "Vamos continuar exercendo plenamente nossos direitos na região", disse Foxley. "Queremos deixar bem claro que não vamos aceitar nenhuma interferência em uma zona que é território marítimo chileno", acrescentou. Um reduzido grupo de manifestantes chilenos realizou um protesto na frente da embaixada do Peru em Santiago.A publicação do mapa foi um passo prévio à anunciada intenção do governo peruano de levar o caso ao Tribunal Internacional de Haia para resolver a disputa.Santiago afirma que o limite marítimo com o Peru foi selado em acordos bilaterais feitos em 1952 e 1954, mas Lima considera que os documentos assinados são referentes apenas à pesca na região. De acordo com os limites citados nesses acordos, a fronteira marítima está traçada por uma linha paralela ao Equador. No entanto, o Peru reivindica uma fronteira traçada por uma linha eqüidistante entre os dois países."Durante um período de 50 anos essa tem sido nossa fronteira", afirmou Foxley. O chanceler também disse que o governo do Peru não "não quis escutar" o que o governo da presidente Michelle Bachelet quis estabelecer "diversas vezes". "Queríamos construir uma relação de cooperação, que somasse esforços e nos projetasse ao Pacífico juntos", disse.O vice-chanceler peruano, Luis Solari, acredita que a aplicação da fronteira nos moldes requeridos pelo Chile proíbe o Peru de exercer uma soberania "indiscutivelmente peruana" num território de alto-mar equivalente a 26 mil quilômetros quadrados.Em Lima, o presidente Alan García tentou minimizar a polêmica internacional causado pela publicação do mapa, dizendo que as diferenças de fronteira entre o Peru e o Chile não deveriam interferir nas relações entre os dois países."Esse tema deve ser submetido a um tribunal internacional e não deve causar inimizades", afirmou García. "A importância dessa decisão deve ser colocada no nível que ela de fato tem, para que continuemos tendo uma boa relação entre nossos países."A área marítima disputada pelas duas nações é rica em recursos marinhos, especialmente em anchova - da qual Peru e Chile são os principais exportadores mundiais.As relações entre Lima e Peru passaram por momentos de tensão desde que os dois países se enfrentaram - junto com a Bolívia - em uma guerra no final do século 19, na qual o Peru teve parte de seu território incorporado ao Chile e a Bolívia perdeu sua saída para o mar (leia ao lado).O chanceler Foxley compareceu ontem ao Parlamento chileno para expor a posição do governo em relação à disputa. "Me reuni pela manhã com nosso embaixador em Lima, Cristian Barros, e ele me informou detalhadamente sobre a visão do governo do Peru sobre a questão", disse Foxley, que foi recebido com aplausos pelos parlamentares - tanto os da base governista como os da oposição. Durante a apresentação, Foxley também deveria falar sobre como andam as negociações para ceder uma saída marítima à Bolívia, mas não mencionou o tema. O chanceler boliviano, David Choquehuanca, não quis comentar a polêmica e se limitou a dizer apenas que "avanços estão acontecendo" e que fará novo anúncio quando for "oportuno".AFP, EFE E REUTERSFRASESAlejandro FoxleyChanceler chileno"Estamos preparados para qualquer cenário. A apresentação do Peru é inaceitável, não tem base jurídica e nos impressiona que este questionamento apareça após 50 anos de acordo entre os países quanto a limites e atuais fronteiras"Alan GarcíaPresidente do Peru"Esse tema não deve causar inimizades""A importância dessa decisão deve ser posta no nível que ela de fato tem para que continuemos tendo uma boa relação entre nossos países"

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