Javier Torres/AFP
Javier Torres/AFP

Chile lança plano econômico de US$ 5,5 bi para enfrentar crise social

O presidente Sebastián Piñera apresentou soluções às demandas sociais, mas boa parte da população continua a considerar tais medidas insuficientes

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 21h53

SANTIAGO - O governo chileno apresentou, nesta segunda-feira, 2, um plano de US$ 5,5 bilhões para reativar a economia, que despencou 3,4% em outubro, devido à crise social que varre o país há 46 dias. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Ignacio Briones.

"Enfrentar a difícil situação exige a ação do Estado por meio de uma política fiscal expansiva para o ano de 2020 (...) Esta agenda que hoje anunciamos considera medidas de US$ 5,5 bilhões", afirmou o ministro em uma mensagem na casa de governo, no mesmo dia em que o Banco Central informou a queda da atividade econômica de 3,4% em outubro, a pior em uma década.

O plano de reativação prevê um maior gasto público em 2020, um apoio financeiro de US$ 1,95 bilhão para as micro, pequenas e médias empresas (Mipymes), e US$ 525 milhões para outras iniciativas, como a reconstrução do metrô de Santiago, gravemente atingido pelas manifestações iniciadas em 18 de outubro. O pacote deve "gerar 100 mil novos empregos no próximo anos", avaliou Briones.

Neste cenário, o gasto público cresceria 9,8% real em 2020 comparado ao orçamento de 2019. Já o déficit fiscal atingiria até 4,4% do PIB no próximo ano.

As necessidades de financiamento para o próximo ano estão orçadas em US$ 16,6 bilhões, com até US$ 9 bilhões a cargo da emissão da dívida, "40% do qual em moeda estrangeira", e os US$ 7,6 bilhões restantes provenientes das reservas do Tesouro em moeda estrangeira.

Briones destacou que o governo revisou para baixo o crescimento em 2019, para 1,4%, contra as previsões de 2% a 2,2%. Em 2020, o Chile deve crescer de 1% a 1,5%.

O presidente Sebastián Piñera apresentou soluções às demandas sociais, mas boa parte da população continua a considerar tais medidas insuficientes. A agenda governamental para lidar com a crise se concentrou na luta contra a violência e no fortalecimento da Polícia.

Protestos contínuos

Dezenas de jovens entraram sem pagar em várias estações do metrô de Santiago nesta segunda-feira,  uma forma de protesto que detonou há sete semanas a grave crise social que sacode o Chile e que o governo não consegue apaziguar.

Os jovens, a maioria vestindo uniforme escolar e usando lenços no pescoço para não ser reconhecida, saíram de uma das composições do metrô na estação Los Héroes, uma das mais importantes do centro da capital chilena, e abriram as portas de acesso às plataformas para que os usuários entrassem sem pagar, segundo a France-Presse.

Em seguida, os manifestantes subiram nas roletas, aos gritos de "evadir, no pagar, outra forma de luchar!" (burlar, não pagar, outra forma de lutar!) e voltaram a entrar em outro trem.

Na estação Irarrázaval, no bairro residencial de Ñuñoa (leste de Santiago), jovens encapuzados tentaram entrar aos chutes e a pauladas, mas não conseguiram quebrar as portas de acesso, segundo a imprensa local.

Em outras estações também foram registrados incidentes que obrigaram a empresa Metro, que controla o serviço ferroviário metropolitano, a interromper o serviço em algumas paradas.

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Em 18 de outubro, os calotes realizados por estudantes em protesto contra o aumento nas passagens do metrô deu início à pior crise social que o Chile viveu em três décadas, com estações e trens incendiados.

As manifestações que se seguiram, saques e incêndios em lojas, assim como enfrentamentos com forças de segurança, deixaram 23 mortos e milhares de feridos.

Segundo a mais recente pesquisa da empresa Cadem, 96% dos entrevistados "discordam dos saques e roubos ao comércio", enquanto 72% apoiam a "mão dura" contra os saqueadores.

A sondagem também revelou que 67% dos consultados concordam com a continuidade das manifestações, e 59% estão de acordo com um projeto de lei de Piñera para que os militares zelem pela infraestrutura pública sem necessidade de decretar estado de emergência./AFP  

 

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