Claudio Santana/AFP
Claudio Santana/AFP

Chile lembra golpe com protestos e confrontos

Manifestantes enfrentam policiais e erguem barricadas; 68 são detidos em Santiago

O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 22h59

SANTIAGO - Pelo menos 68 pessoas foram detidas em Santiago nesta quarta-feira em confrontos entre policiais e manifestantes, durante a madrugada e o início do dia do aniversário do golpe militar que substituiu o presidente socialista Salvador Allende pelo general Augusto Pinochet, em 11 de setembro de 1973. Cinco veículos foram incendiados nos protestos.

Manifestações violentas ocorreram na capital do Chile e em bairros periféricos de dez regiões de Santiago. Os chilenos desafiaram os policiais com barricadas em chamas, paus e pedras.

Segundo a imprensa local, os protestos começaram na noite da terça-feira. De acordo com a polícia, na Comuna de Providencia um ônibus público foi incendiado com um temporizador. O motorista teria percebido o fogo e esvaziado o veículo. O incidente não deixou feridos.

Três carros particulares foram incendiados nos municípios de Peñalolén, La Granja e La Pintana. Barricadas também foram erguidas na capital, onde o governo acionou 8 mil policiais para conter protestos. As autoridades pediram que os pais não circulassem com seus filhos nas regiões que concentravam manifestantes, mas que a população fosse trabalhar normalmente.

Durante a manhã, as manifestações ocorreram nas imediações da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, em Santiago. Houve confrontos nas Comunas de Independencia e Providencia. Em Recoleta, uma mulher de 21 anos foi presa com uma bomba incendiária, segundo o Ministério Público.

Sete colégios de Santiago foram ocupados por estudantes que alegavam realizar protestos pacíficos, prometendo abandonar os locais sem violência.

Dezessete dos presos enfrentarão acusações de desordem pública - o restante foi liberado sem indiciamentos após a detenção. "Houve menos incidentes do que esperávamos", disse o general Rodolfo Pacheco, da polícia militar chilena, qualificando os confrontos como ocorrências "isoladas". "Os Carabineiros têm mais de 8 mil agentes acionados para evitar excessos. Não pode ser que por 50 delinquentes todo um país se paralise", disse.

"A única forma de lembrar esse 11 de setembro é com organização e luta, porque nos encontramos em um contexto em que a repressão contra os estudantes tem sido enorme", disse Isabel Salgado, porta-voz da Assembleia Coordenadora de Estudantes Secundaristas, que com outras entidades estudantis e universitárias tem organizado protestos por educação gratuita.

A senadora Isabel Allende, filha do presidente socialista, disse que a memória do líder - encontrado morto no Palácio de La Moneda após o golpe - deve servir de exemplo para a luta contra as injustiças que persistem no Chile. "Salvador Allende se sentiria orgulhoso de ver os estudantes na rua, se sentiria orgulhoso de ver jovens que exigem um meio ambiente livre de poluição, se sentiria orgulhoso de quem defende a diversidade e luta contra a discriminação."

O presidente chileno, Sebastián Piñera, pediu uma reconciliação nacional. "Chegou o tempo, depois de 40 anos, não de esquecer, mas sim de superar os traumas do passado." / EFE e AFP

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