Chile não pediu investigação a Hong Kong sobre Pinochet

Autoridades judiciais de Hong Kong disseram nesta sexta-feira que não receberam nenhum pedido da Justiça do Chile para investigar o suposto depósito de nove toneladas de ouro no valor de US$ 160 milhões que estaria no nome do ex-presidente chileno Augusto Pinochet. Em comunicado oficial, o escritório do porta-voz do órgão de Justiça de Hong Kong afirmou que, "sobre consultas recebidas, informamos que não recebemos nenhum pedido da parte chilena para iniciar uma investigação a respeito". Informações procedentes de Santiago do Chile falavam sobre o suposto envio pelo juiz Juan González de uma solicitação a Hong Kong para estabelecer a veracidade do depósito que pertenceria ao ex-presidente chileno. Segundo a família e pessoas próximas a Pinochet, a informação sobre o depósito de ouro é "uma perseguição política". A Autoridade Monetária de Hong Kong afirmou, sem fazer comentários sobre entidades bancárias e financeiras ou depósitos individuais nas mesmas, que lembrava a obrigação de "cumprir suas diretrizes e estabelecer sistemas eficientes de controle". Um porta-voz do Hong Kong & Shanghai Banking (HSBC) reiterou que a investigação sobre o eventual depósito de ouro de Pinochet continua, mas ainda não foi descoberto nada em nome do ex-presidente chileno. A mesma fonte afirmou também que "o Governo do Chile não entrou em contato a respeito". Um comunicado do HSBC, divulgado em Santiago do Chile no dia 26 de outubro, indicava que os documentos que atribuem ao ex-ditador chileno depósitos em ouro no valor de US$ 160 milhões são "falsos". No entanto, o comunicado emitido pelo HSBC afirmou que a entidade continuará cooperando com as autoridades chilenas, "se for requerido para estes efeitos". Segundo um especialista bancário de Hong Kong, que pediu para não ser identificado, "nunca um banco como o HSBC vai dizer nada sobre um cliente se a Justiça não ordenar".

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