Chile nomeia juiz para investigar finanças de Pinochet

A Corte de Apelações de Santiago nomeou um juiz especial para investigar uma denúncia contra o ex-ditador Augusto Pinochet, de 88 anos, por fraude e outros delitos financeiros, envolvendo supostas contas secretas que ele manteve em um banco americano. O juiz Sergio Muñoz foi designado após os advogados e ativistas de direitos humanos Carmen Hertz e Alfonso Insunza apresentarem uma acusação contra o ex-ditador por fraude, malversação de fundos e corrupção.Um subcomitê do Senado americano descobriu que Pinochet manteve pelo menos seis contas no Riggs Bank, de Washington, com depósitos que oscilaram entre os US$ 4 milhões e US$ 8 milhões entre 1994 e 2002.Os filhos do ex-ditador fizeram declarações hoje em sua defesa. "Eu creio que meu pai é um homem honrado, que não roubou dinheiro nem participou de atos de corrupção. Este dinheiro é de doações e de economias pessoais", afirmou Marco Antonio, filho caçula do ex-ditador e que costuma atuar como porta-voz da família. Sua irmã, Lúcia, também disse que empresários fizeram doações nos anos finais de seu regime, temendo que Pinochet "ficasse à mercê de seus inimigos".Já uma sobrinha de Pinochet manifestou ceticismo. "Um funcionário público não pode juntar US$ 8 milhões", disse Monica Madariaga, que durante a ditadura foi ministra de Justiça e Educação e embaixadora do Chile na Organização dos Estados Americanos (OEA).

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