Chile quer acordo com EUA para atrair capital

Até o fim deste ano, o Chile deverá ter concluído as negociações de um tratado de livre comércio com os Estados Unidos. Impulsionado principalmente por razões ligadas à política interna chilena, o acordo ainda é polêmico por ter sido anunciado em pleno "namoro" do Chile com o Mercosul, no início deste ano. Tanto no Itamaraty, quanto na própria base do governo chileno, é bastante questionada a versão oficial de que o tratado será capaz de elevar os fluxos de investimentos estrangeiros. A negociação entre o Chile e os EUA faz parte de um contexto da própria economia chilena. Mais aberta que seus vizinhos, com um mercado interno de 15 milhões de consumidores, o Chile busca ansiosamente desde o início dos anos 90 expandir o mercado para seus produtos. No caso das negociações com os americanos, entretanto, surge uma nova lógica - a redução dos riscos para os investimentos estrangeiros ingressarem mais fortemente ao país. "Um estudo de 1994 mostra que as nossas exportações para os EUA aumentariam em US$ 500 milhões ao ano com o tratado de livre comércio. Acredito que essa cifra possa ser maior", afirmou ao Grupo Estado o vice-chanceler do Chile, embaixador Heraldo Muïoz. "O mais importante, porém, é que esse tratado deverá reduzir a taxa de risco país, o que significa resultados positivos para o fluxo de investimentos e diminuição dos custos de captação externa das empresas chilenas."Dúvidas - A mensagem do governo, entretanto, levanta dúvidas dentro da própria base da colisão que o sustenta, a Consertação. Fontes ouvidas pelo Estado argumentam que a taxa de risco do Chile é a mais baixa da América Latina, de 177 pontos, e concordam que a negociação com os EUA foi uma concessão do presidente Ricardo Lagos às forças de direita. Acuado pelas próximas eleições, o governo teme que o avanço da direita o leve a perder a maioria no Congresso e, ao mesmo tempo busca um ajuste interno de forças que o permita prosseguir com sua política econômica.

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