Chile quer retomar relações diplomáticas com a Bolívia

Representantes da presidente do Chile, Michelle Bachelet, disseram nesta quarta-feira que o país quer renovar as relações diplomáticas com a Bolívia desde que esta resolva sua velha demanda por um acesso ao Oceano Pacífico. O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs no início da semana retomar as pendências diplomáticas com o Chile com a condição de que "todos os problemas" sejam resolvidos entre as duas nações. Entre essas pendências está a perda da costa marítima da Bolívia, ocorrida na guerra de 1879-84 - fato relembrado todos os anos, no "Dia do Mar". Neste ano, a celebração, marcada para quinta-feira, incluirá uma marcha de centenas de bolivianos até a fronteira com o Chile, para expressar suas demandas. Desde 1978, ano em que a Bolívia falhou em suas negociações aduaneiras, os dois países não mantêm relações diplomáticas. O Chile tradicionalmente recusa-se a discutir o assunto, dizendo que o caso já foi resolvido com a Bolívia em um tratado de paz assinado em 1904. "A restauração das relações diplomáticas é uma meta para nós", disse o porta-voz de Bachelet, Ricardo Lagos Weber. "Queremos um dialogo sem nenhum impedimento, mas também sem nenhuma condição." O ministro do exterior chileno, Alejandro Foxley, notou que Bachelet e Morales desenvolveram um empolgante relacionamento pessoal quando se encontraram em Santiago, na posse presidencial de Bachelet. "Isso foi ótimo, e não há razão para nós não progredirmos gradualmente, pouco a pouco, até chegarmos aos casos mais difíceis", afirmou Foxley. A oposição chilena ao acesso da Bolívia ao oceano parece suavizar-se a cada dia. Há pouco mais de uma semana, milhares de pessoas se reuniram no Estádio de Santiago durante a visita de Morales ao Chile e gritaram frases de apoio como "mar para a Bolívia!" Recentemente, oficiais dos dois lados da fronteira sugeriram que os dois países explorem a possibilidade de trocar gás natural boliviano pelo acesso ao mar.

Agencia Estado,

22 Março 2006 | 20h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.