Chile recebe Morales em visita histórica

O presidente da Bolívia, Evo Morales, iniciou nesta sexta-feira uma histórica visita ao Chile com o objetivo de assistir a posse da presidente eleita do país, Michelle Bachelet. Morales é o primeiro presidente da Bolívia a assistir a uma posse presidencial no Chile e sua presença é aguardada com grande expectativa, sobretudo por parte da esquerda política. "Esta é uma visita histórica para nós", disse Morales aos jornalistas no aeroporto internacional de Santiago. O dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS) da Bolívia agradeceu seu colega chileno, Ricardo Lagos, por ter comparecido à sua própria posse, em fevereiro, e destacou que, pela primeira vez, uma mulher chegará à chefia do Estado chileno. Após desembarcar no aeroporto, Morales, que chegou junto com uma comitiva encabeçada por seu ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, se dirigiu ao Palácio de La Moneda, onde foi recebido por uma guarda de honra e se reuniu com Lagos. Em homenagem ao líder boliviano, cerca de 300 organizações sociais e políticas organizaram um ato previsto para esta sexta-feira e no qual Morales será o único orador. A manifestação de apoio ao líder cocaleiro contará também com a atuação de grupos folclóricos e artistas populares. Diplomacia Santiago e La Paz mantêm suspensas suas relações diplomáticas desde 1978 por causa de um litígio que se arrasta desde o Século XIX, quando a Bolívia perdeu seu acesso ao Pacífico em uma guerra contra o Chile e o Peru. Embora o governo boliviano mantenha a reivindicação marítima como prioridade em sua agenda, Morales optou pela diplomacia para se aproximar do Chile, e os dois governos não excluem o reatamento das relações diplomáticas. La Paz ofereceu vender ao Chile energia térmica para a região norte do país, em contraposição à política seguida pelas administrações bolivianas anteriores, que condicionavam qualquer negociação à obtenção de uma saída soberana ao Pacífico. Nesse contexto, Morales disse que sua visita ao Chile é também "uma mostra de que os povos lutam pela irmandade, pela unidade latino-americana, esquecendo o passado".

Agencia Estado,

10 Março 2006 | 17h40

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