Chile reforça segurança após ataque que feriu 14

Cerca de 500 policiais foram destacados para vigiar estações de metrô de Santiago; suspeitas de bomba deixaram as autoridades em alerta

SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2014 | 02h01

Todas as mais de cem estações de metrô de Santiago amanheceram ontem sob vigilância policial, um dia após uma bomba detonada em uma lixeira da parada Escuela Militar ter deixado 14 feridos. O reforço de segurança, para o qual 500 agentes foram acionados, determinou que cestos de lixo das estações fossem lacrados ou retirados, para evitar que outros artefatos explosivos fossem colocados.

A ação, qualificada pelas autoridades chilenas como um "ataque terrorista", foi o mais grave atentado do gênero desde a volta da democracia, em 1990. O Grupo de Operações Policiais Especiais (Gope) informou que, até a tarde de ontem, foi acionado cinco vezes por suspeitas de bomba na capital chilena.

Dois dos objetos suspeitos foram encontrados em estações de metrô - a parada Universidad de Santiago foi fechada durante uma hora em razão de uma maleta abandonada e, pouco antes das 16 horas, um objeto suspeito fez com que a estação Plaza Puente Alto fosse interditada.

O Gope foi acionado para suspeitas de bomba no Tribunal Civil de Santiago, na Universidade Adolfo Ibáñez e na esquina entre as ruas Teatinos e Catedral, próximo ao centro histórico da capital. Nenhuma das ocorrências resultou em ameaças reais.

"Não deixaremos a mão tremer diante de ações como esta. Não permitiremos que um grupo reduzido de terroristas e covardes afete a vida da grande maioria de homens e mulheres que querem para si e para sua família um país seguro, próspero, solidário e em paz", declarou ontem a presidente chilena, Michelle Bachelet.

A mãe da líder estava no centro comercial da estação de metrô de Santiago onde ocorreu a explosão, informou o ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo, ao jornal chileno La Tercera. Angela Jeria não ficou ferida. "Ela estava fazendo compras no local acompanhada de um segurança, como de costume."

As autoridades chilenas investigam, segundo o promotor nacional interino, Alberto Ayala, "organizações anarquistas que não têm uma organicidade que permita (aos investigadores) seguir uma lógica coerente que determine com maior precisão e rapidez quem está por trás dos atentados".

Um estudo da polícia chilena publicado pelo jornal El Mercurio afirma que, dos 198 artefatos explosivos acionados nos últimos nove anos em Santiago, 81 foram reivindicados por grupos antissistema ou anarquistas. Ao todo, 11 pessoas foram julgadas por ligação com as bombas e houve um condenado à prisão. Amanhã, quando se completam 41 anos do golpe que instalou a ditadura militar no Chile, 2,6 mil policiais serão destacados para a segurança de locais considerados sensíveis. / AFP, AP e REUTERS

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