REUTERS/Jose Luis Saavedra
REUTERS/Jose Luis Saavedra

Chile registra primeira morte por novo coronavírus

País é o segundo na América Latina com maior número de casos da covid-19, depois do Brasil

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 17h14

SANTIAGO - O Chile, que se tornou o segundo país na América Latina com mais infecções pelo novo coronavírus depois do Brasil, relatou a primeira morte pela doença neste sábado. O ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich, disse em sua conta no Twitter que a vítima é uma mulher de 83 anos de idade. O número de casos da covid-19 chegou a 537, de acordo com as autoridades.

Paraguai e Porto Rico também anunciaram neste sábado seus primeiros mortos pela covid-19. Na Argentina registrou-se a quarta morte e no Peru, a quinta. Os casos de contágio continuaram aumentando na região e mais países decretaram quarentenas e toques de recolher em seus esforços para conter a disseminação da pandemia, incluindo Bolívia e Guatemala.

Pela manhã, a Argentina anunciou sua quarta vítima, uma mulher de 67 anos, segundo confirmou a Clínica Güemes de Luján, na província de Buenos Aires, onde ela foi hospitalizado. O Ministério da Saúde da Argentina informou que os casos de covid-19 totalizaram 158, 30 a mais que no dia anterior.

O país sul-americano vive seu segundo dia de quarentena total, com fortes sistemas de vigilância e multas para quem violar a restrição de não deixar suas casas, exceto por algo estritamente necessário, como comprar comida ou remédio. Imagens de televisão mostraram ruas importantes e geralmente lotadas em Buenos Aires, como a Avenida 9 de Julio, praticamente desertas.

O governo da cidade de Buenos Aires anunciou que entrará com uma ação por US$ 700.000 contra um passageiro que entrou em um navio Buquebus, que conecta a Argentina ao vizinho Uruguai, sabendo estar infectado. O navio tinha saído do Uruguai.

As autoridades paraguaias anunciaram a primeira morte da doença na sexta-feira à noite. O paciente "foi internado em terapia intensiva por vários dias'', disse o Ministério da Saúde do Paraguai em redes sociais.

O presidente paraguaio Mario Abdo estendeu as medidas preventivas a combater a doença, em quarentena, até 12 de abril. "Precisamos trabalhar juntos e estar mais unidos do que nunca ', disse ele.

Atividades e reuniões de trabalho foram suspensas no país e a circulação social e de ruas foi minimizada, limitada a emergências ou compras necessárias.

O ministro Mañalich, do Chile, anunciou que já foram registrados 537 casos, o que coloca o país como o segundo mais contagioso da América Latina, depois do Brasil. 

Mañalich também negou que o governo ordenará uma quarentena total como na Argentina, apesar da pressão da Faculdade de Medicina, que tem recomendado em vários casos o fechamento total de cidades e, especialmente, da Região Metropolitana, onde a maioria dos casos foi contabilizada. Várias dezenas de prefeitos também pediram essa medida drástica, assim como os chilenos, que exigiram com um "panelaço" nacional na noite de sexta-feira.

Vários prefeitos declararam quarentena e restrições isoladamente em suas comunas, como em Maipú ou no setor leste de Santiago, onde se encontram as áreas mais ricas da capital e onde está o maior número de casos.

Mañalich pediu aos chilenos que não viajassem para a costa e a praia, depois de várias pequenas cidades da costa chilena declararem quarentenas. "Estamos vendo com grande preocupação que muitas pessoas entendem isso como um período de férias e estão se dirigindo a suas segundas residências, com risco de infecção para locais com pouca infraestrutura de saúde para suportar um surto epidêmico", disse.

O Peru, por sua vez, anunciou sua quinta morte, um homem de 83 anos. Ninguém pode sair de casa entre as 20h e as 5h, com exceção das forças de segurança, trabalhadores da saúde, transportadores de serviços de alimentação, combustível, resíduos e funerárias. O presidente Martín Vizcarra criticou os ricos que não respeitam a quarentena e disse que a covid-19 "é absolutamente democrático, igualmente perigoso para todos". No país contou 318 infectados, com 55 novos casos em 24 horas.

Na Bolívia, a Presidente Interina Jeanine Áñez anunciou a quarentena total e obrigatória na Bolívia a partir de domingo por 14 dias, para conter a expansão do novo coronavírus, após confirmação de 19 casos positivos. "Precisamos tomar decisões firmes para salvar vidas. É uma decisão difícil, mas é necessária'', disse a presidente em mensagem ao país neste sábado após reunião do seu gabinete de emergência.

Antes do anúncio, as pessoas lotavam os mercados para estocar alimentos. "A quarentena total procura evitar o contágio da comunidade", justificou o ministro da Saúde, Aníbal Cruz.

Añez garantiu o suprimento e disse que mercados, farmácias e outros serviços básicos funcionarão de manhã e que apenas uma pessoa por família poderá fazer compras.

Além disso, desde sábado foram suspensos os vôos internacionais e as viagens terrestres internas, em um país com maus serviços e pessoal insuficiente nos centros médicos estaduais. Áñez anunciou ajuda econômica às famílias pobres, o congelamento do pagamento de serviços básicos e diferimento de dívidas bancárias.

Na Colômbia, cujo presidente Iván Duque anunciou ontem uma quarentena nacional a partir de terça-feira, os casos chegaram a 196,  77 na capital do país.

Na Guatemala, o presidente Alejandro Giammattei anunciou que existem 16 casos fr contágio do coronavírus no país da América Central, incluindo uma menina pequena e um morto. Giammattei também anunciou um toque de recolher para obrigar as pessoas a ficar em casa pelos próximos 8 dias, das 16h até a 4h, começando no domingo.

Na América Latina, existem mais de 3 mil infectados e quase 30 mortes. No mundo, mais de 280 mil pessoas foram infectadas e mais de 11,9 mil morreram em decorrência do coronavírus. Metade dos que já foram infectados se recuperaram. A maioria dos pacientes tem sintomas levea, como febre ou tosse, mas idosos ou pessoas com outros problemas de saúde podem sofrer sérias complicações.

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