Felipe Trueba/Efe
Felipe Trueba/Efe

Chile rejeita exigências de estudantes

Governo diz que não alterará propostas de reforma educacional já recusadas pelos manifestantes

, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

SANTIAGO

O governo do Chile afirmou ontem que não apresentará novas propostas de reforma na área de educação reivindicadas pelos estudantes que há três meses protestam por melhorias no ensino. A equipe do presidente Sebastián Piñera convidou os manifestantes a dialogar sobre as 21 medidas que propôs na semana passada - já recusadas pelo movimento - e apresentou um plano para que o ano letivo não seja perdido.

"Já temos a proposta (de alteração na educação chilena) e esperamos que eles (os estudantes) possam se reunir com as autoridades e os parlamentares para poder ver como seguimos adiante e complementamos as medidas. Não há uma nova proposta, pois a que já foi entregue (pelo Ministério da Educação, no dia 1.º) aborda todos os temas", afirmou o porta-voz do Executivo, Andrés Chadwick.

As entidades estudantis consideraram as medidas insuficientes em relação às suas exigências: ensino público gratuito e de qualidade, proibição de lucro de universidades privadas e a devolução da administração do sistema de ensino chileno ao Estado.

Nos protestos da noite de terça-feira, que, segundo o Ministério do Interior, deixaram 78 feridos - 55 policiais e 23 estudantes -, os manifestantes expressaram insatisfação com as propostas apresentadas recentemente pelo Executivo. Ao todo, ainda segundo a pasta, 396 pessoas foram detidas pelas autoridades.

O confronto mais intenso ocorreu em Santiago, onde, próximo à sede do governo federal, a polícia usou jatos d"água e gás lacrimogêneo contra os jovens, que respondiam com pedras. Também houve manifestações e tumulto nas cidades de Valparaíso e Concepción.

Nos protestos da semana passada mais de 800 manifestantes foram detidos.

O porta-voz do governo de Santiago afirmou que os estudantes "não podem pretender que seja tudo ou nada".

"O movimento segue, custe o que custar", disse ontem no rádio a líder estudantil Daniela Isla, ressaltando que as manifestações já envolvem "pais e trabalhadores".

Recuperação. O Ministério da Educação chileno apresentou ontem três planos para os alunos que vêm perdendo aulas por causa das manifestações: que os colégios ocupados pelos protestos compartilhem as estruturas de outras escolas, em um revezamento de horários; que os estabelecimentos de ensino tomados funcionem em locais alternativos, como ginásios e bibliotecas; ou que os alunos realizem seus estudos em casa e depois se submetam a uma avaliação para passar de ano. / EFE e AFP

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