Chile resgata todos os 33 mineiros sem incidentes em menos de um dia

Antes do prazo previsto de 48 horas, operação espetacular põe fim a 70 dias de angústia

Patrícia Campos Mello ENVIADA ESPECIAL COPIAPÓ / CHILE, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2010 | 00h00

Sebastian Piñera, presidente do Chile, recepciona Luis Urzua, o último mineiro resgatado

COPIAPÓ - Eram 17 milhões de chilenos chorando de emoção, buzinando e cantando, quando o último dos 33 mineiros, Luis Urzua, chefe do grupo, foi resgatado ontem às 21h55. Depois de 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade, tendo sobrevivido 18 dias com duas colheradas diárias de atum, os sobreviventes foram retirados com sucesso em uma das mais complexas operações de salvamento da história.

 

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Na principal praça de Copiapó, cidade mais próxima da mina San José, mais de 3 mil pessoas dançaram, cantaram o hino chileno e choraram. quando o presidente do país, Sebastián Piñera, segurando a mão de Urzua, agradeceu aos mineiros.

"Estamos orgulhosos dos 33 mineiros que deram um exemplo de companheirismo e solidariedade. Estamos orgulhosos das milhares de pessoas que tornaram possível o resgate de vocês." Urzua respondeu. "Estou lhe entregando o turno e espero que isto não volte a ocorrer."

Em Copiapó, o sorveteiro Víctor Jofre, de 65 anos, cinco filhos, cinco netos, não conseguia parar de chorar. "Nunca pensei que eles sobreviveriam. A terra caiu em cima deles, ninguém sobrevive a esses acidentes. É um milagre."

Bandeiras com as fotos dos 33 eram vendidas em todos os cantos. Ariel Ticona, penúltimo mineiro a ser resgatado, levou de lembrança o telefone da mina. O aparelho foi criado por um empresário local e era chamado "Plano Z", porque ninguém acreditava que funcionaria. Ticona ainda não conhece a filha de um mês, que nasceu enquanto ele estava preso na mina.

O resgate de todos os 33 foi possível graças à cápsula Fênix 2, de pouco mais de 53 cm de diâmetro, a bordo da qual os mineiros atravessaram o estreito túnel aberto pela perfuradora sueca Schramm T-130.

O salvamento, que começou tenso nas primeiras horas da madrugada de quarta, tornou-se mais rápido no decorrer do dia, permitindo que a operação, prevista para durar 48 horas, se encerrasse em 24 horas. Depois de o sol raiar no Deserto do Atacama, a equipe já conseguia retirar um operário a cada 40 minutos. Até então, um resgate era registrado a cada hora.

Custo da operação

 

Segundo o ministério da Saúde, apenas dois mineiros apresentaram problemas de saúde mais sérios: um está com pneumonia aguda, outro tem uma infecção dentária - o governo chileno, no entanto, não informou a identidade dos dois.

O restante dos operários, segundo a equipe médica, poderia ser liberado do hospital hoje. Se isto ocorrer, eles terão ficado internados bem menos do que as 48 horas previstas para a realização de exames.

Enquanto isso, continuaram as manifestações de solidariedade em vários países. O jornal argentino Clarín estimou que mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo acompanharam o resgate, por meio de imagens gerada pela emissora estatal chilena TVN.

O custo da espetacular operação de resgate foi mantido em sigilo pelo governo do Chile. Da ação, participaram ainda empresas, como a estatal Codelco, maior companhia mineradora do país, a Marinha chilena e a Nasa, agência espacial americana, que ajudou na assistência médica e psicológica dos mineiros durante o período de confinamento.

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