Rodrigo Cavalheiro/Estadão
Rodrigo Cavalheiro/Estadão

Chile suspende uso de balas de borracha após polícia ferir mais de 200 pessoas

Lesões oculares foram provocadas por bolas que contêm até 80% de metal entre seus componentes, segundo estudo

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 14h37

SANTIAGO - A polícia do Chile anunciou na terça-feira, 19, a suspensão dos disparos de balas de borracha contra manifestantes, em meio aos fortes questionamentos pelo uso deste recurso, que deixou sérias lesões oculares em mais de 200 pessoas.

"Como uma conduta de prudência, se determinou a suspensão do uso desta munição 'não letal' como ferramenta de choque", afirmou o diretor-geral dos Carabineiros do Chile, Mario Rozas, após informações sobre 222 pessoas com lesões oculares graves durante um mês de protestos.

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A polícia afirma que os projéteis são de borracha, mas um estudo da Universidade do Chile - com base nos fragmentos retirados de manifestantes feridos - mostrou uma composição distinta: 20% de borracha e 80% de dióxido de silício, sulfato de bário e chumbo, com uma dureza equivalente a de uma roda de skate.

O general Rozas explicou que após o relatório da Universidade do Chile a instituição ordenou um estudo interno, que apresentou discrepâncias entre a informação entregue pela empresa que vende a munição, um cartucho com 12 esferas de 8 milímetros cada.

Com base nestas discrepâncias, os cartuchos só poderão ser utilizados, a partir desta terça-feira, como uma medida extrema e exclusivamente para a legítima defesa diante de risco iminente de morte do policial.

As lesões oculares provocadas por tiros de cartucho têm sido uma marca indelével deste mês de protestos no Chile, onde muitos manifestantes perderam - parcial ou totalmente - a visão. / AFP

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