Chile tem primeira greve nacional desde 1986

A primeira greve nacional chilena desde 1986 começou com pequenos incidentes e tentativas de bloqueio de vias em Santiago e em outras cidades do país. A paralisação foi convocada pela Central Unitaria de Trabajadores, a CUT do Chile, que representa uma minoria de 640 mil trabalhadores dos 5,52 milhões de funcionários chilenos. Pela manhã, cerca de 150 veículos foram colocados na via que liga a cidade de Calama à mina de cobre Chuquicama, a 1.250 quilômetros de Santiago, para impedir o acesso dos trabalhadores ao local. Uma ação semelhante foi frustrada por policiais no caminho entre Rancagua e a mina de cobre El Teniente, a 100 quilômetros ao sul da capital santiaguina. As minas, que são as maiores fornecedoras de cobre do mercado mundial e que pertencem à estatal Corporación del Cobre (Codelco), não registraram problemas na produção. Em Santiago, motoristas de ônibus realizaram uma manifestação, afetando o trânsito no cruzamento da Vicuña Mackenna com Américo Vespucio, vias com forte fluxo de veículos na cidade. Desconhecidos lançaram pregos e pontas de aço em várias ruas para furar pneus de veículos e lançaram um explosivo no muro da comuna de Maipú. Um ônibus foi incendiado na área de Renca, no norte da cidade. A polícia informou que nenhum incidente deixou feridos.O metrô que serve a cidade de Santiago montou um esquema de emergência, operando desde as 6 horas (horário local) para suprir eventuais déficits no transporte público terrestre. A manifestação tem o objetivo de pressionar o governo do presidente Ricardo Lagos a adotar políticas mais amplas de benefícios sociais. A CUT defende contribuição maior das empresas aos serviços de previdência e saúde. A CUT culpa o governo de centro-esquerda de Lagos por não ter reduzido as disparidades sociais. Os salários médios caíram 22% em termos reais nos últimos cinco anos e os executivos de alto escalão ganham cerca de 160 vezes mais que o salário mínimo do país, atualmente em US$ 164,00 (R$ 497,57). Segundo o ministro do Interior, José Miguel Insulza, a greve é uma manipulação política de grupos comunistas. "O movimento não tem reivindicações reais", disse O país, classificado como investment grade, não registra uma greve geral desde que a democracia foi reinstalada no país em 1990. A paralisação anterior foi realizada em 1986, com o objetivo de pressionar o fim da ditadura de Augusto Pinochet. As informações são do site do jornal El Mercúrio.

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