REUTERS/Enrique Marcarian
REUTERS/Enrique Marcarian

Chilenas exigem que governo garanta igualdade salarial

Levantamento aponta que mulheres precisam trabalhar três meses a mais que os homens para ganhar o mesmo salário; desigualdade na remuneração é de 33%

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2017 | 23h59

SANTIGO - Vários grupos de mulheres chilenas exigiram nesta segunda-feira, 27, que o governo de Michelle Bachelet garanta o direito da igualdade salarial em um contexto em que elas precisam trabalhar o equivalente a 15 meses para ganhar o que os homens recebem em um ano.

A corporação Business and Professional Women lançou nesta segunda a campanha “Porque nosso tempo vale o mesmo”, que tem como objetivo acabar com a diferença salarial que aflige as mulheres do país. “Manifestamos nossa insatisfação pela sistemática e repetida subvalorização que se tem dado à contribuição que realizamos como trabalhadoras para o crescimento dos diversos setores econômicos”, disse a organização. “Fazemos um chamado para a cidadania e ao governo para exigir a aplicação da lei que garanta a igualdade salarial”, completou.

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do Chile, a diferença salarial entre homens e mulheres alcançou em 2016 uma média de 33,16% nas diversas ocupações, sendo que as trabalhadoras independentes, aquelas com profissões que requerem mais estudos de especialização, e as altas executivas são as mais afetadas. Os números chilenos superam uma média mundial de 15,6%, de acordo com registros do Ministério do Trabalho do Chile.

A Organização Internacional do Trabalho reconheceu, em uma publicação, que a maternidade é uma das grandes causas da diferença salarial, afirmando que as mulheres que têm filhos cobram menos do que as que não são mães, enquanto com os homens ocorre o contrário.

“As mulheres sofrem diferentes discriminações associadas à maternidade, à suposta incapacidade para tomar decisões, à suposição de que o maior número de ausências no trabalho é para cuidar de outras pessoas, entre outras coisas, que nossa legislação não é capaz de deter”, explicou a Business and Professional Women.

Junto com a campanha lançada, as mulheres decretaram o dia 27 de março como o dia Nacional da Igualdade Salarial, que é celebrado em diferentes datas ao redor do mundo. /EFE

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