Chilenos discutem direitos humanos antes de eleições

As violações aos direitos humanos no Chile foram um dos primeiros temas abordados ontem, no último debate entre os candidatos Sebastián Piñera, da oposição, e Eduardo Frei, situação, às vésperas das eleições presidenciais de domingo.

AE-AP, Agencia Estado

12 de janeiro de 2010 | 19h21

O magnata Piñera admitiu que uma parte do setor que apoia sua candidatura "cometeu erros" no setor dos direitos humanos, durante a ditadura. Seu adversário afirmou que trabalhará para eliminar a Lei de Anistia, aplicada em alguns processos contra militares.

Em vários momentos, os candidatos ultrapassaram o tempo previsto em suas respostas, especialmente Frei, e em muitos momentos falavam quase em coro, dificultando a compreensão.

"Os candidatos puderam apresentar suas propostas ao país e acredito que os cidadãos que assistiram ao debate puderam comprovar que os dois candidatos têm opções bem distintas", disse hoje a presidente do Chile, Michelle Bachelet.

Piñera, da Coalizão pela Mudança, obteve 44% no primeiro turno de 13 de dezembro. Frei, da coalizão governista Concertação, ficou com 29,6%. Uma pesquisa divulgada pelo jornal "El Mercurio" afirma que o oposicionista está 5 pontos porcentuais à frente do senador. Frei obteve o apoio do derrotado candidato de esquerda Jorge Arrate, que conseguiu 6,2% dos votos no primeiro turno.

Já o dissidente socialista Marco Enríquez-Ominami, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 20% dos votos, rechaça tanto o candidato de direita quanto a candidatura de Frei.

Resquícios da ditadura

Piñera é apoiado pela ultradireitista União Democrata Independente (UDI) e pela direitista Renovação Nacional - que foram o apoio civil à ditadura do general Augusto Pinochet. Segundo o empresário, o fato de alguém apoiar no passado a ditadura "não é um pecado e não inabilita" uma futura participação em um possível gabinete dele.

Piñera acrescentou, porém, que "creio que não vá haver uma participação de ex-ministros do governo militar", além de reconhecer que "parte de meu setor cometeu erros", como violações aos direitos humanos.

Números oficiais indicam que o regime de Pinochet deixou 3.065 mortos, incluindo 1.197 presos desaparecidos. Também morreram 132 militares, em enfrentamentos ou atentados.

Frei criticou a Lei de Anistia deixada pelo ditador e assegurou que, caso chegue ao poder, trabalhará para "acabar com ela".

Política internacional

Sobre a política internacional, o governista não quis responder se um eventual governo comandado por ele entregará uma saída soberana ao mar para a Bolívia, demanda antiga desse país, que perdeu seu acesso ao oceano durante uma guerra com o Chile no século 19. "É um tema para se discutir mais adiante", disse apenas.

Piñera disse que trabalhará para ter "excelentes relações com a Bolívia". Segundo ele, haverá facilidades para o uso de "nosso portos, mas não cederemos parte de nosso território, nem mar; será sem soberania".

O opositor criticou Cuba por ser uma "ditadura", onde se "atropelam os direitos humanos de forma grosseira e permanente". Além disso, disse que a Venezuela "não é uma democracia como tal". Já Frei se recusou a qualificar o regime de Caracas, comandado por Hugo Chávez, como um ditadura, mas disse que Cuba "não é democrática".

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