Ivan Alvarado/Reuters
Ivan Alvarado/Reuters

Chilenos fazem protesto violento por falta de alimentos durante quarentena

Capital chilena está sob quarentena total; promessa de ajuda do presidente não se efetivou

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 21h56

SANTIAGO - Moradores de uma comuna populosa localizada no sul de Santiago enfrentaram nesta segunda-feira, 18, policiais, em protesto contra a falta de alimentos e trabalho devido à crise provocada pelo novo coronavírus, que mantém a capital do Chile em quarentena total.

O coronavírus já infectou mais de 46 mil pessoas no Chile, com 478 mortos.

Moradores de El Bosque, uma das comunas mais pobres da capital, protestam contra a falta de ajuda do governo do direitista Sebastián Piñera, que vem enfrentando, na última semana, um aumento do número de infecções e mortes devido ao novo coronavírus. 

"Não é pela quarentena, é ajuda, alimento, isto é o que as pessoas estão pedindo neste momento", disse Verónica Abarca, moradora de El Bosque. 

Os manifestantes, a maioria encapuzados, ergueram barricadas e gritaram palavras de ordem contra as autoridades. Eles enfrentaram com pedras e pedaços de pau as forças especiais da polícia, que revidaram com gás lacrimogêneo e jatos d'água. Três manifestantes foram detidos, segundo um relatório policial preliminar.

Desde a última sexta-feira, Santiago está em quarentena total, mas, há dois meses, vários setores são afetados pelas medidas impostas para controlar a epidemia.

Ajuda não chegou

A demanda dos moradores chegou à prefeitura de El Bosque, que, em comunicado, afirmou que a quarentena teve um rápido impacto "na qualidade de vida da população" e denunciou a falta de apresentação pelo governo de "medidas concretas" para os desempregados que vivem em áreas carentes.

"São esses moradores e moradoras que, após mais de um mês sem poderem trabalhar, sem terem sido contemplados com nenhuma medida concreta do Estado, que estão protestando", assinala a nota do prefeito Sadi Melo.

"Eu sou tosadora de cães, tenho uma microempresa, o governo não me dá nenhum bônus. Tenho quatro filhos, não me ajudam porque tenho um negócio. Muita gente aqui é microempresária e não tem ajuda", reclamou Paola Garrido, outra moradora da região.

A pandemia atingiu duramente os chilenos, principalmente os mais pobres. O protesto acontece um dia depois de Piñera anunciar a entrega de 2,5 milhões de cestas básicas para a população carente.

No mês passado, o presidente chileno anunciou a entrega de um bônus familiar para cerca de 4,5 milhões de cidadãos mais vulneráveis equivalente a US$ 317 ( R$ 1.818,59), que não se tornou efetivo. Também em abril, o governo começou a entregar outro bônus, de US$ 60 (R$ 344,21), para os 60% de famílias mais pobres.  / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.