Chilenos pedem fim de feriado de Pinochet

Os chilenos comemoram nesta segunda-feira o Dia da Unidade Nacional, instaurado após um acordo com o ex-ditador Augusto Pinochet, com pedidos de governistas e direitistas para revogação da data, por falta de significado efetivo. Como há 28 anos, quando Pinochet liderou o cruento golpe militar que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, os chilenos continuam profundamente divididos. A figura e ainfluência do octogenário ex-governante, no entanto, perdeu força e até o líder direitista Joaquín Lavín, ansioso por mostrar distância de seu legado autoritário, sustenta que "Pinochet é o passado". O Dia da Unidade Nacional foi estabelecido há três anos graças a um acordo entre Pinochet e o presidente do Senado, Andrés Zaldívar, em substituição ao feriado que comemorava o aniversário do golpe. Foi a última iniciativa política de Pinochet antes de ser detido em Londres e de sua suspensão como senador vitalício, seguida da abertura de processo no Chile contra o ex-mandatário, por sua suposta responsabilidade em 75 seqüestros e homicídios de prisioneiros.Em contraste com anos anteriores, em que o ex-ditador participava de atos em memória de um atentado que sofreu em 7 de setembro de 1986, que custou a vida de seis de seus guarda-costas, e do golpe de 11 de setembro de 1973, este ano Pinochet se mantém isolado. Sua última aparição pública foi há um ano, quando compareceu a uma cerimônia em uma fundação que leva seu nome. Aos 85 anos, Pinochet está atualmente confinado a suas duas residências - uma em Santiago e outra no campo -, sofrendo de várias doenças e de lapsos mentais, segundo seus familiares e auxiliares mais próximos.

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