Chilenos vão às urnas e Bachelet prevê segundo turno

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, previu neste domingo que as eleições de hoje terão um segundo turno em 17 de janeiro. Bachelet, que não pode se reeleger, poderá passar o cargo para o bilionário Sebastián Piñera, que lidera as pesquisas com 44% das intenções de voto. "Tempos melhores estão chegando para aqueles que têm a vida difícil", disse Piñera, após votar em Santiago, acompanhado pela esposa e os quatro filhos.

AE, Agencia Estado

13 de dezembro de 2009 | 15h39

O candidato governista, Eduardo Frei, tem 31% das intenções de voto. Neste domingo, os chilenos elegem, além do presidente, os 120 deputados federais e renovam 20 das 38 cadeiras do Senado. "Todos nós sabemos que vai haver um segundo turno, mesmo que esse primeiro turno seja muito importante", disse Bachelet, uma presidente muito popular, logo após votar em Santiago. O Chile tem 8,3 milhões de eleitores registrados e aptos a votar.

Se Piñera vencer, ele interromperá vinte anos de governo da coalizão de esquerda Concertación, que chegou ao poder após o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1989). Piñera, de 60 anos, tem uma fortuna estimada em US$ 1,2 bilhão, é o principal acionista da maior empresa de avião comercial do país, a Lan (antiga Lan Chile), tem uma das quatro emissoras de televisão e é dono de um time de futebol. Piñera disse hoje, após votar em Santiago, que a coalizão da Concertación "acabou. Ela se exauriu politicamente há muito tempo".

O principal rival de Piñera, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, é um ex-presidente de 67 anos (governou o país entre 1994 e 2000) e fez um apelo no final da campanha, na quinta-feira, pela união dos chilenos contra a direita, representada pela candidatura de Piñera. Eduardo Frei Ruiz-Tagle é filho do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, assassinado em 1982 durante a ditadura de Pinochet.

O terceiro candidato nas pesquisas é o ex-diretor de cinema Marco Enriquez-Ominami, de 36 anos. Ele tem 18% das intenções de voto. "Eu confio que as pessoas votarão por uma mudança verdadeira", disse.

O Chile é uma nação relativamente próspera, que conseguiu escapar da crise financeira mundial graças a um fundo estatal que economizou o faturamento obtido com a venda do cobre, metal do qual é o maior produtor do mundo. Mesmo assim, o desemprego cresceu para 9,7% da força de trabalho e a economia se contraiu neste ano. Bachelet está terminando seu mandato com 80% de popularidade por causa das suas políticas sociais, que beneficiaram os mais pobres. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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