Chilenos votam tranqüilamente em segundo turno eleitoral

O segundo turno das eleições presidenciais do Chile, que encerra uma longa disputa entre a socialista Michelle Bachelet e o direitista Sebastián Piñera, transcorre tranqüilamente. Ao meio-dia (13h de Brasília), cinco horas depois do início da votação, as 32.498 mesas eleitorais estavam funcionando, informou o subsecretário do Interior, Jorge Correa. O subsecretário ressaltou a tranqüilidade das eleições, apesar das altas temperaturas registradas em todo o país, de cerca de 30 graus em Santiago.Debaixo do sol forte, os 8.200.000 eleitores formaram longas filas nas seções eleitorais, vigiados por militares desarmados. Mas o processo de votação fluiu bem, sem as aglomerações do primeiro turno, quando também foram eleitos deputados e senadores. Segundo o subsecretário, os primeiros resultados só serão anunciados quando 10% dos votos estiverem apurados, o que deve acontecer por volta das 18h30 (19h30 de Brasília). Além disso, as autoridades prevêem que o último cômputo oficial seja anunciado por volta das 2h da madrugada (22h de Brasília).As atenções hoje estiveram voltadas para os candidatos e o presidente Ricardo Lagos, que foi aclamado por uma multidão que o proclamou candidato para 2010. Lagos, que entregará o cargo no dia 11 de março ao candidato que for eleito hoje, tem uma aprovação inédita na história do Chile de 75%, segundo as pesquisas. Após votar, Lagos destacou a tranqüilidade dominante no país e a normalidade do processo eleitoral. Além disso, ele se declarou convencido de que "esta será uma grande festa democrática, como é tradicional no Chile"."Tranqüila e em família" Michelle Bachelet, candidata da Concertación, aliança que governa o Chile desde 1990Michelle Bachelet, candidata da Concertación de Partidos pela Democracia (aliança que governa o Chile desde 1990), e Piñera, da Aliança pelo Chile (direitista), foram os outros protagonistas do dia. Bachelet foi o centro da atenção de mais de 400 jornalistas que a fizeram demorar quase 45 minutos para chegar à urna."Hoje é um grande dia para os chilenos, que demonstraram maturidade democrática e uma longa tradição de espírito cívico", disse a médica de 54 anos que chegou ao colégio Verbo Divino acompanhada de sua filha mais nova, Sofia, de 13 anos. Bachelet afirmou que esperará o resultado "tranqüila e em família", ao contrário do energético Piñera, que disse que jogaria tênis e voaria de parapente depois de votar.Otimismo Sebastián Piñera votou no Instituto Superior de Comércio, onde chegou acompanhado por sua mulher e um de seus filhosO rico rival de Bachelet, que votou no Instituto Superior de Comércio, onde chegou acompanhado por sua mulher e um de seus filhos, esbanjou otimismo e confiança em sua vitória. "Estou muito contente, muito otimista, acho que vamos ter uma grande vitória hoje, uma vitória que o Chile precisa, porque após tantos anos de Concertación, faria muito bem a nosso país uma profunda renovação", disse.Tomás Hirsch, o ex-candidato do esquerdista pacto Juntos Podemos, que no dia 11 de dezembro obteve 5,4%, votou nulo em protesto contra o neoliberalismo que, segundo ele, é representado pelos dois candidatos.IncidentesEntre os incidentes do dia, o senador eleito Pablo Longueira, da União Democrata Independente (UDI, conservadora), foi agredido, empurrado e insultado no local em que votou, na comuna operária da Pintana. Em incidentes semelhantes aos do primeiro turno, Longueira foi atacado com pedras, água, moedas e gritos de "assassino", pelo que duas pessoas foram detidas.O ministro porta-voz, Osvaldo Puccio, manifestou o repúdio do Governo ao ataque sofrido por Longueira, e anunciou uma investigação para que "as pessoas que instigaram e participaram do ataque sejam punidas". Outras duas pessoas foram detidas por se negarem a participar como ficais de mesa. Além disso, um índio mapuche aparentemente alcoolizado provocou incidentes ao votar.

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