China abre cofres para a América Latina

No vácuo dos EUA, Pequim investe bilhões e amplia influência na região

NYT e THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

Enquanto Washington tenta reconstruir suas relações na América Latina, a China está investindo vigorosamente, oferecendo aos países da região grandes somas de dinheiro no momento em que eles lutam contra desaceleração da economia, queda no preço das commodities e acesso restrito ao crédito.Nas últimas semanas, Pequim tem negociado acordos para dobrar um fundo de desenvolvimento na Venezuela para US$ 12 bilhões, emprestou ao Equador pelo menos US$ 1 bilhão para a construção da maior hidrelétrica do país, emprestou US$ 10 bilhões à companhia brasileira Petrobrás e deu um acesso de mais de US$ 10 bilhões à Argentina para o país pagar em moeda chinesa pelos produtos da China.O comércio chinês com a América Latina cresceu rapidamente na última década, tornando a região a segunda maior parceira comercial da China, depois dos EUA. Mas o tamanho e o alcance desses empréstimos apontam para um profundo engajamento com a América Latina em um momento em que o governo de Barack Obama está tentando reverter a erosão da influência de Washington no hemisfério."É assim que o balanço de poder muda silenciosamente em tempos de crise", disse David Rothkopf, ex-funcionário do Departamento de Comércio durante o governo de Bill Clinton. "Os empréstimos são um exemplo do poder do talão de cheques em um mundo que se movimenta, com os chineses tornando-se mais ativos."Obama vai se reunir com os líderes da região no fim de semana, durante a Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Eles discutirão a crise econômica, incluindo um plano para reabastecer o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que sofreu grandes perdas com a crise mundial.Grandes economias, como Brasil, Chile e Argentina, devem usar o encontro para questionar Obama sobre seus planos para enfrentar a recessão global, pela qual eles culpam os EUA. Luis Alberto Moreno, presidente do BID, disse que o crescimento anual de 5% nos últimos cinco anos tirou 40 milhões de pessoas da pobreza na América Latina. Mas a recessão, incluindo a redução de exportações para os EUA, está revertendo essa tendência. Mesmo uma queda de 1% no PIB pode levar 15 milhões de pessoas de volta à pobreza, disse Moreno.Dante Sica, economista da empresa de consultoria Abeceb, de Buenos Aires, disse que a abertura chinesa na região foi possível por causa da "falta de atenção que os EUA demonstraram para com a América Latina durante todo o governo de George W. Bush". "E agora, quando o novo governo democrata quer voltar sua atenção à região, chega em um momento quando as grandes preocupações são internas", disse Sica, referindo-se aos problemas econômicos dos EUA. TENTÁCULOS CHINESES Venezuela - Pequim dobrou o fundo de desenvolvimento do país para US$ 12 bilhõesEquador - Emprestou US$ 1 bilhão para a construção de usina hidrelétrica Argentina - Ofereceu US$ 10 bilhões para o país pagar em yuans por produtos chinesesBrasil - Pôs à disposição crédito de US$ 10 bilhões para a Petrobrás

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