China aceita discutir sanções ao Irã

Em cúpula nuclear, Hu promete 'cooperar' em pressão sobre Teerã; Pequim é o único membro permanente do CS que se opõe a aprovar punições

Patrícia Campos Mello, Gustavo Chacra. Correspondentes em Washington, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

A China concordou em discutir com os Estados Unidos possíveis sanções contra o Irã. Os presidentes americano, Barack Obama, e chinês, Hu Jintao, tiveram um encontro bilateral de uma hora e meia ontem, paralelamente à Conferência de Segurança Nuclear que se realiza em Washington. A China é o único membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas que se opõe a sanções contra o governo iraniano e é alvo de intenso lobby da Casa Branca.

 

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França, Rússia e Grã-Bretanha concordam com as sanções, enquanto a China deixou claro que só apoia medidas mais leves, que não afetem os civis iranianos. Segundo a Casa Branca, Pequim e Washington instruíram seus diplomatas a trabalhar com os países envolvidos nas discussões e com a ONU para formular uma resolução de sanções que mostraria ao Irã o custo de não respeitar regras internacionais. O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas a comunidade internacional teme que Teerã esteja tentando fabricar uma bomba atômica.

"A resolução vai deixar claro os custos de insistir em um programa nuclear que viola as responsabilidades e obrigações do Irã", disse Jeff Bader, assessor da americano para assuntos de segurança. "Os chineses estão prontos para trabalhar conosco", afirmou ele.

Comemoração. A decisão da China foi comemorada pela Casa Branca. Mas, apesar de ser um avanço, não significa que o governo chinês apoiará sanções. Hu disse a Obama que a China e os EUA "compartilham o objetivo no que se refere à questão nuclear iraniana".

Mais tarde, Ma Zhaoxu, porta-voz da chancelaria chinesa, limitou-se a dizer: "A China espera que as partes continuem a se engajar em gestões diplomáticas e busquem maneiras eficazes de resolver a questão nuclear por meio do diálogo."

Obama quer que o Conselho de Segurança adote sanções contra o Irã antes de junho. Além da China, o Brasil, a Turquia e o Líbano ? três membros rotativos do Conselho de Segurança ? afirmam que não apoiarão uma terceira rodada de sanções.

Ontem, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, reafirmou a intenção brasileira de posicionar-se contra as sanções ? mesmo que o País possa acabar isolado, com a China apoiando as medidas.

"Nossa experiência, com base no que houve com o Iraque, é que um ciclo de endurecimento recíproco vai em um crescendo, com um lado aplicando sanções e outro dizendo que não vai fazer nada sob ameaça", disse Amorim em entrevista a jornalistas. "Achamos que ainda há tempo para negociações."

Questionado sobre a relevância da oposição brasileira no caso de a China juntar-se aos Estados Unidos, Amorim afirmou que o voto de países como Brasil e Turquia é importante porque os dois têm "alta respeitabilidade internacional".

"Eu disse à secretaria de Estado (americana, Hillary Clinton), "porque é que você acha tão importante a posição do Brasil se o País não pode vetar?" E a resposta é: Brasil e Turquia têm alta respeitabilidade internacional, dão legitimidade à resolução", afirmou o chanceler brasileiro.

Hoje, Amorim vai se reunir com Hillary em Washington e Irã estará na pauta das discussões entre os dois chanceleres. A possível visita do presidente Obama ao Brasil, que havia sido prometida para o primeiro semestre, não deve ser abordada durante o encontro.

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