Andy Wong/AP-12/1/2011
Andy Wong/AP-12/1/2011

China aceita pressionar Coreia do Norte

Mudança de posição teria ocorrido após Obama ameaçar deslocar suas forças militares na Ásia, durante jantar privado com Hu Jintao

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

Nos seus três dias nos Estados Unidos, o presidente da China, Hu Jintao, aproveitou apenas ontem de um momento livre de cobranças. Em Chicago, Hu foi recebido com buquê de orquídeas, boas-vindas em mandarim e espetáculos de dança chinesa na Escola Secundária Walter Payton, na mesma região da cidade que abriga o Instituto Confúcio.

Questões econômicas e político-estratégicas, como as que provocaram estresse nas conversas de Hu com o governo e o Congresso americanos nos dias anteriores, foram sublimadas em Chicago. Até mesmo as cobranças por mudanças na política chinesa de desvalorização cambial.

No entanto, essas controvérsias continuaram a ecoar ontem em Washington, com a divulgação da ameaça dos Estados Unidos de deslocar suas forças militares na Ásia se a China não pressionar a Coreia do Norte a eliminar seu programa nuclear e a parar com suas agressões à Coreia do Sul. O presidente americano, Barack Obama, já havia feito o alerta em um telefonema a Hu no mês passado, mas repetiu a advertência durante um jantar privado na Casa Branca na terça-feira. O líder americano teria alegado ser este o único meio de proteger os EUA e seus aliados no continente - a Coreia do Sul e o Japão -, segundo o jornal The New York Times.

Diante da iniciativa, a China teria concordado em aumentar sua pressão sobre a Coreia do Norte. No entanto, um dia depois, sua proposta de solução negociada pelo Sexteto (Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, EUA, Japão e Nações Unidas) também começou a prosperar.

Retomada de diálogo. Seul anunciou na quinta-feira sua disposição em retomar o diálogo militar com Pyongyang - provavelmente no próximo mês -, o que pode abrir caminho para novas negociações com o sexteto sobre o programa nuclear. Questionado sobre a ameaça do governo americano, sempre cético com a via da negociação com a Coreia do Norte, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, desconversou.

"Os chineses aceitaram, pela primeira vez, tratar do fim do programa norte-coreano de enriquecimento de urânio e dos passos necessários para lidar com isso. E nós estamos contentes que sul-coreanos e norte-coreanos estão começando a conversar", afirmou Gibbs.

Sem cobranças. Antes de embarcar para Pequim, Hu Jintao visitou uma exposição de companhias chinesas instaladas no Meio-Oeste americano, no subúrbio de Chicago. Ali, avalizou o contrato de compra da maioria das ações do americano Bank of East Asia pelo estatal Industrial & Economic Bank of China - a primeira operação desse gênero entre os dois países. A resistência em retirar os mísseis apontados para Taiwan não foi lembrada durante a visita a Chicago. Tampouco o Tibete foi mencionado, a não ser por um grupo de manifestantes. As prisões políticas, até mesmo a do Prêmio Nobel da Paz de 2010, Liu Xiaobo, sumiram das conversas

Essa foi a primeira visita de um líder chinês a Chicago desde 2002. A capacidade investimentos produtivos da China nos EUA, reforçada pelo pacote de US$ 48 bilhões anunciado na quarta-feira, fez de Hu Jintao um alvo a ser mais paparicado do que em Washington. Em especial, pelo democrata Richard Daley, prefeito de Chicago há 22 anos - período maior do que os 8 anos de Hu na presidência e apenas 5 anos a menos do que os 27 de liderança de Mao Tsé-tung na China. Daley, porém, deixará a prefeitura neste ano.

"Nós queremos estabelecer uma nova parceria entre Chicago e a China que beneficiará as futuras gerações", afirmou o prefeito na noite de quinta-feira, ao receber Hu no salão de festas de um hotel.

"Chicago traz o espírito pioneiro e do empreendedorismo. Boeing, Motorola, Caterpillar, McDonald"s e muitas outras companhias do Meio-Oeste tornaram-se nomes familiares na China", acrescentou o presidente, diante da plateia de altos executivos de companhias americanas e chinesas.

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