China acirra tensão com Washington e Tóquio

Após mandar caças para zona marítima em disputa, Pequim vigia aviões estrangeiros

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2013 | 02h06

Depois de mandar na quinta-feira um grupo de aviões de combate para patrulhar a recém-criada Zona de Identificação de Defesa Aérea (Zida) no Mar do Leste da China, o governo de Pequim deu ontem um novo sinal de que pretende controlar a região ao anunciar a identificação de duas aeronaves de vigilância americanas e 10 aviões japoneses, incluindo um caça F-15.

O envio de caças chineses ocorreu horas após EUA, Japão e Coreia do Sul afirmarem que haviam desafiado a imposição e voado na região sem informar as autoridades chinesas. Na véspera, os EUA haviam enviado dois bombardeiros B-52 à localidade, onde China e Japão disputam ilhas batizadas como Diaoyu e Senkaku, respectivamente.

Apesar do acirramento das tensões após o estabelecimento da Zida e dos voos militares constantes de todas as partes, o ministro de Relações Exteriores chinês afirmou ontem que a intenção do país não é desestabilizar a região. "A Zida não tem como alvo nenhum país específico. É uma medida programada para exercer o direito de defesa".

Washington não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Uma fonte militar americana que pediu para não ser identificada disse à agência Reuters que os EUA pretendem continuar com voos de vigilância e reconhecimento na região.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou ontem que o bloco está preocupado com a nova escalada de tensão criada pela Zida chinesa. "A UE pede que todos os lados exerçam a cautela e a contenção", afirmou.

Força naval. O governo chinês reafirmou na quinta-feira que o porto militar de Sania, ilha no Mar do Sul da China, tem condições de tornar-se base permanente para o porta-aviões Liaoning, única embarcação do tipo que a China possui.

O Liaoning, que foi comprado da Ucrânia, reformado e relançado ao mar pelos chineses em 2012, foi enviado à região pela primeira vez na terça-feira. / REUTERS

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