China acusa dalai-lama de fazer Olimpíada de refém

País afirma que o líder budista semea o terror no Tibete e conspira com separatistas da etnia Uigur em Xinjiang

Chris Buckley, da Reuters,

23 de março de 2008 | 10h44

A China acusou o dalai-lama de semear o terror no Tibete e conspirar com os separatistas da etnia Uigur em Xinjiang, enquanto o país aumenta os esforços de segurança e propaganda para sufocar uma rebelião anti-chinesa às vésperas dos Jogos Olímpicos. Os protestos contra o governo por monges budistas eclodiram na capital do Tibete, Lhasa, em 10 de março. Cinco dias depois, uma tropa de choque chinesa reprimiu as manifestações, matando 18 civis inocentes, queimados ou agredidos até a morte, disseram autoridades. Novos distúrbios espalharam-se em províncias vizinhas com grandes populações tibetanas, deixando muitas outras pessoas mortas. Em Sichuan, Gansu e outras províncias, tropas continuavam a patrulhar de maneira ostensiva as ruas das cidades tibetanas, com escolas e monastérios budistas sob forte vigilância. A China disse neste domingo, 23, que 94 pessoas haviam sido feridas em áreas tibetanas em Gansu, quase todas policiais, de acordo com a Xinhua. A polícia descobriu um rifle semi-automático e um cartucho de munição na região de Gannan, em Gansu, que a Xinhua descreveu como o esconderijo de um "criminoso', em uma reportagem que repetiu as ofertas do governo de clemência a quem se render. O líder budista do Tibete no exílio, dalai-lama, criticou a violência e disse que quer conversar com a China para negociar a autonomia, e não a completa independência, de sua terra natal, que foi ocupada pelos chineses em 1950. Mas o governo está intensificando a propaganda e dizendo aos seus cidadãos e ao resto do mundo que o dalai-lama, e não falhas na política governamental, causaram o problema e que ele quer arruinar os Jogos Olímpicos, em agosto. "Nós devemos... conquistar a vitória final em todos os aspectos contra as forças separatistas para ajudar a assegurar o sucesso dos Jogos Olímpicos com uma situação social estável na Região Autônoma do Tibete", disse o governador do Tibete, Qiangba Puncog, à Xinhua. O jornal do Partido Comunista, Diário do Povo, disse neste domingo que o dalai-lama, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1989, nunca abandonou a violência depois de ter deixado a China, em 1959, depois de uma fracassada revolta contra Pequim. "A dita 'não-violência pacífica' do grupo do dalai é uma completa mentira do início ao fim", disse o jornal. "Em 2008, os Jogos Olímpicos de Pequim, ansiosamente esperados pelo povo do mundo todo, chegarão. Mas o dalai-lama está planejando o seqüestro dos Jogos Olímpicos para forçar o governo chinês a fazer concessões à independência do Tibete." O jornal acusou o dalai-lama de planejar ataques com a ajuda de violentos grupos separatistas Uighur que buscam a independência do Turquestão Oriental, onde vive uma população majoritariamente muçulmana no noroeste da região chinesa de Xinjiang.

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