REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

China acusa Estados Unidos de 'fabricar fatos' com acusações a hackers

Acusação veio após EUA incriminar dois hackers chineses por ataques a empresas e agências de vários países

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2018 | 16h15

PEQUIM – A China acusou nesta sexta-feira, 21, os Estados Unidos de "fabricar fatos", após o departamento americano de Justiça acusar dois hackers ligados aos serivços de segurança chineses por ataques a empresas e agências de vários países.

O ministério chinês das Relações Exteriores pediu aos Estados Unidos que "deixe de desprestigiar a China em questões de cibersegurança", e informou ter apresentado uma queixa oficial.

A China considera que os Estados Unidos deveriam retirar a acusação "para evitar graves danos às relações entre os dois países" e denuncia que a administração americana atribui aos chineses exatamente as faltas que ela mesma comete.

Pequim afirma que as acusações "não passam de cortina de fumaça" e adverte os demais países para "deterem a difamação deliberada contra a China para evitar prejudicar as relações bilaterais".

O departamento de Justiça dos EUA anunciou na quinta-feira, 20, o indiciamento dos hackers chineses Zhu Hua e Zhang Shilong, que fazem parte de um grupo conhecido como APT 10, que opera na China em associação com o Ministério da Segurança do Estado.

Entre 2006 e 2018, este grupo liderou uma campanha global de ataques cibernéticos para roubar dados confidenciais e segredos comerciais de 45 empresas de 12 países, segundo o departamento de Justiça. 

"Trata-se simplesmente de trapaça e roubo, e isso dá à China uma vantagem injusta às custas de empresas e países que respeitam as regras internacionais", denunciou o número dois do departamento, Rod Rosenstein, em coletiva de imprensa.

"Será difícil para a China alegar que não é responsável" por esses ataques, agora que os Estados Unidos tornaram pública uma acusação muito detalhada e precisa, acrescentou Rosenstein.

Nenhum país representa "uma ameaça tão grande e por tanto tempo quanto a China", declarou por sua vez o diretor do FBI, Christopher Wray. / AFP

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