Vincent Thian/AP Photo
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China acusa EUA de iniciar corrida nuclear na Ásia

Washington e Coreia do Sul anunciam implementação de sistema de defesa antimísseis dois dias após Coreia do Norte lançar projéteis

O Estado de S.Paulo

07 de março de 2017 | 20h16

PEQUIM- O governo da China criticou nesta terça-feira, 7, a decisão americana de instalar um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul e alertou para o risco de uma corrida armamentista nuclear no Pacífico. O anúncio foi feito em meio ao agravamento das tensões na Península Coreana, dois dias depois de Pyongyang lançar quatro projéteis sobre o Mar do Japão. 

Outro fator que contribuiu para aumentar no nervosismo na região foi a decisão norte-coreana de proibir a saída do país de cidadãos da Malásia - retribuída pelo governo malaio -, em consequência da morte de Kim Jong-nam, meio irmão do líder Kim Jong-un, envenenado no aeroporto de Kuala Lumpur, com o gás VX. 

Coreia do Sul e Estados Unidos anunciaram hoje que começaram a implantar os primeiros elementos do sistema de defesa em solo sul-coreano. Segundo o governo americano, a China foi avisada da decisão, muito criticada pela agência estatal chinesa Xinhua

“Isso trará uma corrida armamentista para a região”, disse a agência em editorial. “Mais escudos de um lado, inevitavelmente, trarão mais mísseis nucleares do outro lado para tentar superar a barreira antimíssil.”

A Xinhua, no entanto, também criticou o regime da Coreia do Norte por suas ações provocativas. “Pyongyang precisa encarar a realidade. Não conseguirá consolidar sua segurança com sua tecnologia nuclear imatura”, acrescentou a agência. 

Temor. Seul e Washington defendem a necessidade do sistema de mísseis para se defenderem da Coreia do Norte, apesar de Pequim e Moscou considerarem que a medida representa uma ameaça para sua segurança, já que o escudo poderia servir para obter dados de inteligência de suas bases militares.

O porta-voz da chancelaria chinesa, Geng Shuang, criticou a decisão americana de implementar o sistema de defesa antimísseis e alertou que Pequim tomará as medidas necessárias para proteger seus interesses e sua segurança nacional. “Estados Unidos e Coreia do Sul terão de arcar com as consequências”, disse. “Seul e Washington não podem ir adiante por um caminho equivocado.”

A escalada de tensão nos últimos dias na Ásia aumentou também com sinais de que Pyongyang está perto de desenvolver um míssil intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos com uma carga nuclear. Ainda não está claro o que o governo do presidente Donald Trump pode fazer para impedir isso. 

Ataques preventivos. O New York Times noticiou no domingo que os assessores de Segurança Nacional de Trump discutiram a possibilidade de ataques preventivos contra a Coreia do Norte que, possivelmente, acarretariam uma retaliação contra a Coreia do Sul. Além disso, analistas de inteligência americanos acreditam que a Coreia do Norte já é capaz de lançar um ataque nuclear contra Coreia do Sul e Japão. 

A instalação do sistema de defesa antimísseis também fez com que a China colocasse em curso uma série de retaliações comerciais contra a Coreia do Sul. A principal foi o fechamento de 23 lojas da cadeia sul-coreana Lotte. Ontem, autoridades chinesas pediram aos cidadãos que boicotassem produtos feitos nos países vizinhos. Após o anúncio de instalação do sistema de defesa antimísseis, alguns chineses protestaram diante de lojas da Lotte. / NYT e EFE

 

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