China acusa o dalai-lama de manipular opinião pública mundial

Governo chinês afirma que líder religioso nunca citou servidão desumana existente no Tibete sob o seu domínio

REUTERS

28 de abril de 2008 | 11h34

A China criticou mais uma vez o dalai-lama, nesta segunda-feira, 28, acusando o líder espiritual do Tibete de manipular a opinião pública e os governos do Ocidente, apenas alguns dias após ter sugerido a realização de negociações com os tibetanos.   Veja também:  O trajeto completo do revezamento da tocha pelo mundo Chineses e sul-coreanos brigam na passagem da tocha por Seul  Coréia do Norte celebra tocha com marchas militares e desfiles  Entenda a questão do TibeteO governo chinês tem acusado os assessores do líder budista exilado de serem os responsáveis pelos distúrbios ocorridos em Lhasa e em outras regiões tibetanas, que teriam por meta atrapalhar a Olimpíada de Pequim, em agosto. No entanto, após várias pressões internacionais para dialogar com o dalai-lama, a China anunciou inesperadamente, na sexta-feira, que pretende reunir-se com os representantes dele dentro de alguns dias. O país asiático não deixou, porém, de criticar o líder budista. "Após cinco décadas morando no exílio, o grupo do dalai-lama aprendeu a chamar a atenção do Ocidente citando assuntos como os direitos humanos, a paz, a proteção do meio ambiente e da cultura, entre outros", disse a agência chinesa de notícias Xinhua, em um comentário. "Mas eles nunca dizem uma única palavra sobre a servidão desumana existente no Tibete sob o domínio deles", afirmou. O dalai-lama vencedor do Prêmio Nobel da Paz, engana os estrangeiros ao dizer que não planejou os distúrbios ocorridos na capital do Tibete (Lhasa), no mês passado, e ao afirmar que apóia a Olimpíada, acrescentou a Xinhua. "Alguns dos envolvidos que se entregaram à polícia confessaram que os assessores do Dalai Lama são os arquitetos dos distúrbios em Lhasa", disse. "O fato de os assessores do dalai-lama manterem um governo no exílio e o fato de que separatistas tibetanos atrapalharam o périplo mundial da tocha olímpica apenas mostram não passar de mentiras as afirmativas dos assessores do dalai-lama de que não buscam a independência e de que dão apoio aos Jogos Olímpicos." Manifestantes pró-Tibete compareceram em vários locais de passagem da tocha olímpica pelo mundo, sempre provocando reações indignadas do governo chinês. O ataque mais recente vindo da China sugere que o governo desse país não está preparado para ceder terreno nas negociações previstas para ocorrerem nos próximos dias. Já houve seis rodadas de negociações entre a China e os representantes do Dalai Lama desde 2002, sem que avanços fossem realizados.  O governo tibetano no exílio tinha dito antes que desejava dialogar, mas que também queria que a China parasse de "difamar" o dalai-lama.

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