China acusa tibetanos de planejar ataques suicidas

Premiê exilado nega afirmações de Pequim de que manifestantes organizam "esquadrões" terroristas

Reuters e Associated Press,

01 de abril de 2008 | 07h46

O governo chinês acusou "forças tibetanas de independência" de planejar o uso de grupos suicidas para promover violentos atentados - a mais recente acusação contra os apoiadores do líder dalai-lama. O primeiro-ministro exilado Samdhong Rinpoche negou as acusações de Pequim, afirmando que os tibetanos estão comprometidos com o caminho da "não-violência).   Veja também:  China revela identidades de 14 vítimas dos distúrbios de Lhasa  Entenda os protestos no Tibete   "Segundo o nosso conhecimento, o próximo plano das forças tibetanas de independência é a organização de esquadrões suicidas para lançar ataques violentos", o porta-voz do Ministério da Segurança Pública, Wu Heping. "Eles afirmam que não temem derramamentos de sangue ou sacrifícios".   Pequim acusa o dalai-lama e seus apoiadores de orquestrar os protestos contra o governo em Lhasa, capital da província do Tibete, no último mês como parte de uma campanha para sabotar a realização das Olimpíadas e promover a independência da província ocupada pela China há quase 50 anos. O Nobel da Paz de 72 anos nega as acusações, condena o uso da violência nas manifestações. O premiê tibetano exilado, Samdhong Rinpoche, reiterou as afirmações do líder espiritual nesta terça-feira.   "Não existe a possibilidade de grupos suicidas", disse Rinpoche. "Não há dúvida alguma de que em nossa mente queremos seguir o caminho da não violência". Ele afirmou ainda que a comunidade exilada teme que o governo chinês possa "mascarar os tibetanos" com planos de ataques terroristas para desacreditar os ativistas.   A China afirmou ainda que reuniu evidências "suficientes" para provar que grupos tibetanos no exílio organizaram e promoveram os protestos recentes em Lhasa.O Ministério da Segurança Pública chinês disse ter capturado "importantes suspeitos" estritamente relacionados à "camarilha do dalai" e reuniu evidências que provam que as manifestações foram organizados por grupos tibetanos que operam no exterior.   Nesta terça, na habitual entrevista coletiva do Ministério de Relações Exteriores, a porta-voz Jiang Yu justificou o fechamento da região tibetana a jornalistas estrangeiros e turistas, após a explosão dos distúrbios. "Antes dos incidentes, Lhasa era um lugar aberto onde podiam entrar os turistas e jornalistas, se fizessem os procedimentos necessários", disse Jiang. "No entanto, devido aos distúrbios violentos, foi necessário tomar medidas que são legítimas e cumprem a lei", disse.   Além disso, a porta-voz da Chancelaria chinesa criticou uma carta escrita pelo Dalai Lama e dirigida a Pequim, a favor do diálogo e das manifestações pacíficas. Jiang disse que o líder espiritual tibetano "distorceu a história durante meio século, prejudicando a estabilidade da China", e afirmou que a carta era "hipócrita".

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