China admite 'longo caminho' até direitos humanos plenos

A China ainda tem "um longo caminho a percorrer" para que seus cidadãos desfrutem de direitos humanos plenos, e isso passa pela solução de conflitos sociais e até pelo custo elevado das moradias, disse uma autoridade de alto escalão, numa rara admissão dos desafios do país nesse campo.

REUTERS

13 de julho de 2011 | 09h41

Wang Chen, chefe do Escritório de Informação do Conselho Estatal, disse em discurso publicado pelo jornal China Daily na quarta-feira que, embora a China tenha feito avanços notáveis nessa frente, ainda terá dificuldades pela frente.

"Afetada e restrita por fatores naturais, históricos e culturais, e pelos níveis de desenvolvimento econômico e social, a causa dos direitos humanos na China ainda enfrenta muitas dificuldades e desafios, e ainda há um longo caminho a percorrer antes de alcançar a soberba meta de que os cidadãos chineses desfrutem plenamente dos direitos humanos", afirmou Wang.

"Nosso desenvolvimento nacional continua significativamente desequilibrado e descoordenado, por causa de... amplas disparidades na distribuição de renda, crescentes pressões sobre os preços, disparada dos preços habitacionais em algumas cidades, problemas de segurança alimentar, recursos médicos insuficientes ou desigualmente distribuídos, desenvolvimento urbano e rural desequilibrado e crescentes conflitos sociais causados por reivindicações ilegais de terras."

A China tradicionalmente rejeita as críticas à situação dos direitos humanos no país, alegando que conseguiu retirar milhões de pessoas da pobreza, e que para um país em desenvolvimento o mais relevante é fornecer alimentação, vestuário, habitação e prosperidade econômica.

Wang, cujo departamento é o principal órgão de propaganda do governo, disse que a China vai preparar um novo "plano de ação dos direitos humanos" para 2012-15, "com a meta de ampliar a democracia, reforçar o Estado de direito, melhorar a subsistência do povo e salvaguardar os direitos humanos".

As declarações de Wang demonstram a preocupação do governo com o descontentamento causado pela disparidade de renda, a corrupção e os confiscos fundiários ilegais. Mas o discurso dificilmente irá contentar os ativistas de direitos humanos, alvo de uma onda de repressão lançada em fevereiro por autoridades temerosas de um "contágio" das rebeliões do mundo árabe.

(Reportagem de Sui-Lee Wee)

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